17/12/2015

Em que países a internet não é livre?

Às vésperas do 20º aniversário do Massacre da Praça da Paz Celestial (tragédia ocorrida em 4 de junho de 1989), o governo chinês bloqueou o acesso dos seus 298 milhões de usuários a sites como Twitter, Flickr, Youtube, Wordpress, Blogger, Hotmail e Bing. Até a gigante Microsoft anunciou que entraria em contato com o governo do país para exigir explicações. 

O fato é que a censura à internet no país não é novidade, mesmo a ONU tendo declarado a internet como um direito humano universal. Para vigiar o grande número de usuários, o partido comunista gasta bilhões de dólares por ano no controle das informações que circulam pela rede. Manter blogs ou postar vídeos criticando o governo pode acabar em cadeia - tanto é que, segundo o site da ONG Repórteres sem Fronteiras, o país tem a maior prisão do mundo para os considerados criminosos eletrônicos.


O governo controla os assuntos proibidos por meio de filtros, que encontram palavras-chave ligadas a movimentos democráticos, como "revolta", "massacre", "direitos humanos" ou "movimento estudantil".

Infelizmente, não é só a China que censura o acesso da população à rede. Todos os anos, o Repórteres Sem Fronteiras divulga uma lista de países "inimigos da internet". A última delas, publicada no site da ONG em 2008, coloca nessa categoria mais 14 países: Arábia Saudita, Belarus, Burma, Cuba, Egito, Etiópia, Irã, Coreia do Norte, Síria, Tunísia, Turcomenistão, Uzbequistão, Vietnã e Zimbábue. Segundo a ONG, "esses países transformaram a internet em uma intranet, impedindo que os usuários obtenham informações consideradas indesejáveis". Além disso, todas essas nações têm em comum governos autoritários, que se mantêm no poder por meio do controle ideológico. 

Um dos piores casos de censura é o da Coreia do Norte. O país tem apenas dois websites registrados, o do Centro Oficial de Computação (que na verdade é um órgão de controle do uso da rede) e o portal oficial do governo. Para a população, o uso de internet é completamente vetado: não há provedores no país. Mesmo assim, existem alguns poucos cybercafés autorizados pelo governo. 

O Repórteres Sem Fronteiras relata que, nesses lugares, a visita da polícia é constante e os computadores acessam apenas conteúdo controlado. Somente membros do alto escalão do governo e estrangeiros têm acesso a conexão via-satélite. Já nas Américas, o único país na lista é Cuba. Por lá, o governo comunista controla o acesso da população à informação por meio do monopólio dos provedores e censura de conteúdo considerado impróprio. Assim, só existe um cybercafé no país e o preço para acessar sites estrangeiros (e filtrados) é de cerca de 6 dólares por hora, completamente inacessível quando o salário médio da população é de 17 dólares por mês.

Fonte: Nova Escola
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