18/12/2016

Nicolás Maduro determinou o fechamento da fronteira na Venezuela e quem quiser voltar para o Brasil não pode mais

Engolfado em uma crise financeira, política e institucional, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, coloca a culpa em inimigos externos para justificar o fracasso do chavismo. A última ação coordenada por Maduro, para desviar atenção para os problemas de seus país, foi a de fechar a fronteira com o Brasil.

No sábado, o presidente Nicolás Maduro anunciou que a fronteira ficará fechada até o dia 2 de janeiro, de 2017. Podendo, ainda, prorrogar esse prazo.

O presidente venezuelano justifica a medida como necessária para combater a ação de “máfias” que estariam enviando para fora do país milhões de bolívares em espécie, como forma de “desestabilizar” o seu governo.

A medida impactou diretamente milhares de brasileiros que vivem na Venezuela. Até a tarde deste domingo, uma centena de pessoas recorreram ao vice-consulado do Brasil, na cidade de Santa Elena de Uiarén, em busca de ajuda.


A cidade faz fronteira com a brasileira Pacaraima (RR) e a população das duas localidades vivem de foram integrada transitando livremente de um lado para o outro dos postos de controle, como se ambas formassem apenas um aglomerado urbano no extremo norte da Região Amazônica.

O Itamaraty disse a Revista VEJA.com que a Consulado do Brasil em Caracas já tenta um acordo para garantir que aqueles que desejem deixar a Venezuela possam atravessar a fronteira.

Autoridades de Roraima ouvidas pela reportagem temem que a situação se agrave. Dezenas de ônibus de turismo deixam o Brasil em direção ao país vizinho todas as semanas. Estima-se que centenas de brasileiros podem ter problemas para voltar para suas casas, caso a medida não seja revertida.

Maduro também fechou a fronteira com a Colômbia. Esta é a segunda fez neste ano que o mandatário toma essa decisão. No início do ano, a medida levou a Venezuela à beira do caos, pois devido à falta de alimentos e insumos básicos, os venezuelanos recorriam diariamente à Colômbia para comprar comida. Somados, os períodos de interdição chegam a um ano de duração.

Nos últimos meses, mais de 30 000 venezuelanos atravessaram por terra a fronteira seca com o Brasil. Depois de Pacaraima, milhares deles seguiram em direção à capital de Roraima, Boa Vista, onde passaram a mendigar nas ruas.

Fonte: VEJA
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