25/05/2017

Movimento feminista, um movimento financiado por... um homem

O grupo feminista Femen ficou conhecido nos últimos anos pela forma incomum de chamar a atenção para os direitos das mulheres: mostrando os seios. Só que não teve topless na sessão de "Ukraine Is Not a Brothel" ("Ucrânia Não é um Bordel"), documentário da australiana Kitty Green, fora de competição no Festival de Veneza. Mas o barulho foi grande mesmo assim.

O primeiro longa a mostrar os bastidores do grupo formado na Ucrânia, revelou que Viktor Svyatsky, tido como um simples consultor do Femen, na verdade é um dos criadores do movimento e o liderava até um tempo atrás. "Eu não sabia o papel de Viktor", conta a cineasta de 28 anos que passou 17 semanas viajando com o grupo, filmou mais de 100 protestos pela Europa e exibiu o longa pela primeira vez em Veneza acompanhada de Sasha e Inna Shevchenko, duas das mais conhecidas integrantes do Femen.

"Essa é a verdade por trás do movimento e nós queríamos contar a verdade, por isso estamos aqui", conta Inna. "Viktor nos deu a compreensão completa do que o movimento poderia ser, mas ele não faz mais parte do grupo. Ele foi o detonador de tudo, mas agora o Femen tem mães."


O documentário mostra o fundador do Femen como um homem agressivo e manipulador, que se recusou inicialmente a aparecer no filme de Green. "Foi bom tê-lo em nossas vidas para sabermos como os homens podem ser grandes canalhas. Mantemos Viktor em nossas memórias para ficarmos mais fortes", diz Sasha.

Em uma das partes mais paradoxais do longa, Svyatsky explica a razão de ser responsável pela organização do grupo: "Essas garotas são fracas". "Sim, é um paradoxo quando existe um homem liderando um movimento feminino", admite Inna. "Mas o Femen não foi baseado em teorias. As mulheres começaram a se reunir e havia vários homens no nosso círculo. O problema é que ele sentiu que precisava de mais espaço, porque é um homem. E homens precisam ter o poder."

O filme sugere que a ideia de escolher garotas bonitas para protestar de topless veio também de Svyatsky, mas as suas integrantes negam. "Infelizmente não posso dizer que Viktor não seja real, mas o modo de protestar foi uma decisão coletiva. Éramos nós na rua gritando, não vamos esquecer isso", rebate Sasha, sempre lembrando que o Femen agora se espalhou para dez filiais na Europa, com sede em Paris. "Não aguentávamos ficar mais sob seu controle. Agora temos várias líderes", finaliza Sasha.

Fonte: Hoje em Dia
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