09/09/2017

A ponte entre Brasil e Guiana Francesa que ninguém podia cruzar

"Pare. Identifique-se", dizia uma placa amarela e preta no extremo brasileiro da ponte entre a América Latina e a União Europeia – e, se alguém ultrapassasse os limites demarcados pelo arame, um guarda aparecia ao longe para gritar: "Volte!".

O grito rompia o silêncio reinante na imponente obra cinza e vazia sobre o rio Oiapoque, cujas águas marcam a fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa, na selva amazônica.


Ainda que a ponte estaiada com pilares de concreto de 378 metros de comprimento tenha sido terminada há quatro anos, ela só foi inaugurada este ano, e seu uso era proibido. Essa demora foi um enigma para os moradores dos dois povoados remotos em ambos os lados do rio: Oiapoque na margem brasileira e St. Georges na francesa.

"Para qualquer brasileiro e francês é o maior mistério: por quê? Faz anos que está pronta", dizia Alexandra Costa, dona de casa de 34 anos, enquanto tem as unhas dos pés feitas em um salão de beleza em Oiapoque.

Monumento

A obra foi anunciada oficialmente em 1997 pelos presidentes da França e do Brasil à época, Jacques Chirac e Fernando Henrique Cardoso.

"Ouvi falar da ponte pela primeira vez em 1973", contava Auxilio Cardoso, um aposentado brasileiro de 71 anos, sobre uma das lanchas que transportam as pessoas de um lado ao outro do rio.


Ele está indo a St. Georges "comprar um perfume francês para o Natal" e passa sob a ponte. Questionado sobre quanto faltava para inaugurá-la, dava de ombros, levava suas mãos ao céu e respondia sorrindo na época: "Não sei".

De fato, ninguém na região parecia saber essa resposta. Com um custo para ambos os governos de US$ 30 milhões (R$ 118,5 milhões), a ponte foi construída com base na premissa de que impulsionaria o intercâmbio e o desenvolvimento destes rincões perdidos do Brasil e da França.

A Guiana Francesa é a última área continental sul-americana que ainda pertence a uma ex-potência colonial. É um território ultramarino da França e, como tal, faz parte da União Europeia e tem o euro como moeda oficial.

Inauguração

Sem a presença de ministros brasileiros, foi aberta oficialmente para a passagem de veículos em março a Ponte Binacional Franco-Brasileira, que liga por via terrestre o Brasil e a União Europeia a partir da divisa entre o Amapá e a Guiana Francesa. A estrutura pronta desde 2011 custou cerca de R$ 70 milhões, e dependia de acordos entre os dois países e de obras do lado brasileiro que só foram concluídas há pouco, por isso levou todo esse tempo.

A cerimônia aconteceu dos dois lados da ponte, que tem 378 metros de extensão e liga as cidades de Oiapoque, no Amapá, e Saint-Georges, na Guiana Francesa. Apesar da abertura, podem trafegar pela estrutura somente veículos de passeio, estando ainda proibido o transporte de cargas, o que segundo o governo brasileiro deve acontecer até o meio do ano. Apesar da inauguração a passeagem de veículos foi iniciada dias depois.

A estrutura substitui o uso regular de balsas no rio Oiapoque. As regras para travessia, como exigência de visto, estão mantidas e condicionadas ao pagamento de um seguro para os veículos brasileiros, que varia de 250 a 450 euros, dependendo do modelo do carro. A ponte ficará aberta de segunda-feira à sexta-feira, das 8h às 18h, e aos sábados, das 8h às 12h.

Participaram da cerimônia de corte da faixa o governador do Amapá, Waldez Góes, além da prefeita de Oiapoque, Maria Orlanda, senadores e deputados do estado. Com a ausência de ministros do Governo Federal, estiveram membros da Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit).

Do lado francês, estavam autoridades militares, além dos prefeitos de Saint-Georges e da Guiana Francesa. A ministra do Meio Ambiente, Segolene Royal, estava com presença confirmada, mas não participou. A ponte foi idealizada em 1997 entre os ex-presidentes do Brasil e França, Fernando Henrique Cardoso e Jacques Chirac.

Custa mais barato ir de avião

Pois é, é isso mesmo que você leu essa demora toda pra agora custar bem mais barato ir pra lá pelos ares... O brasileiro que quiser chegar de carro à Guiana Francesa tem que desembolsar até ‎430 euros (cerca de R$ 1.500), pela Ponte Binacional Franco-Brasileira, que liga Oiapoque, a 590 quilômetros de Macapá, à Saint-Georges de l'Oyapock, no território francês, já o caminho inverso está livre de qualquer pagamento.

Só para se comparar, um voo entre Manaus e Caiena (a capital da Guiana Francesa), sai a partir de US$ 156 (ou R$ 490) em um dia de semana. Para atravessar o rio de Oiapoque a Saint-Georges de barco, o custo total de idade e volta é somente R$ 30.

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