20/09/2017

Enzo vs. Ferruccio: a briga que deu origem à Lamborghini

Você já conhece a sinopse do filme: Ferruccio Lamborghini era um industrial rico que teve um problema com a embreagem de sua Ferrari. Ele então foi falar com Enzo, que ficou puto e mandou Ferruccio dirigir tratores e em vez de esportivos. Aí Ferruccio resolveu mostrar como se faz um esportivo e criou a Lamborghini que conhecemos hoje.


É mais ou menos assim que a origem da Lamborghini sempre foi contada. Mas qual era a Ferrari de Ferruccio? Que tipo de problema ele teve na embreagem? Como foi o papo com Enzo — ele chegou reclamando ou foi conversar amistosamente? Ferruccio saiu de Maranello direto para a fábrica e mandou todo mundo largar os tratores para construir um esportivo?

Bem, que tal perguntar isso a alguém que viu tudo de perto? Foi o que os italianos do Quarta Marcia fizeram: eles conversaram com ninguém menos que Tonino Lamborghini, o filho do homem.


Em um vídeo gravado no singelo Ferruccio Lamborghini Museo (que não é a mesma coisa que o Museu da Lamborghini) o filho de Ferruccio fala sobre os hábitos do pai, como foi a briga com Enzo, o início da marca e também da coleção que habita aquele museu.


De acordo com Tonino, Ferruccio tinha não apenas uma, mas duas Ferrari. Uma delas é a 250 GT Coupé 1958 que aparece no vídeo (ele tinha duas iguais). Ele costumava sair no fim das tardes para disputar corridas entre Bolonha e Florença. Não o tipo de corrida que você está pensando, com inscrições, capacetes e organização, e sim corridas de estrada. Como conta Tonino, os motoristas se encontravam, acertavam o desafio e quem vencesse pagava o café para o perdedor.


Em uma dessas corridas a embreagem da Ferrari simplesmente falhou. A peça “não suportava as exigências do carro”, segundo Tonino. Seu pai tentou solucionar o caso sozinho tentando adaptar a embreagem de um de seus tratores e… deu certo! Ferruccio então decidiu ir até Maranello conversar com Enzo e sugerir a modificação na embreagem dos demais carros. Ele considerava Enzo um excelente construtor de carros e sua intenção era realmente fazer uma sugestão amistosa sobre a embreagem.


Mas ao ouvir a história de Ferruccio, Enzo reagiu com a fúria de um cavalo rampante: disse que Ferruccio não sabia dirigir esportivos e que deveria se limitar a dirigir seus tratores. Caso encerrado.

(Antes de seguirmos, uma observação: existe uma versão da história na qual Ferruccio supostamente gastou uma fortuna para trocar a embreagem e ela quebrou de novo. Ao pedir para um de seus mecânicos para desmontar o câmbio do motor, eles descobriram que a embreagem era a mesma usada em um de seus tratores. Ferruccio teria ficado furioso ao descobrir que a Ferrari era feita com componentes iguais aos que ele comprava aos montes e foi reclamar com Enzo.)

Ferruccio chegou em casa no começo daquela noite, sentou-se à mesa com o filho e a esposa e desabafou: “Você viu como ele me tratou? Comprei duas Ferrari, mas faço 52 tratores por dia. Quem ele pensa que é? Se eu quiser, faço um carro!”

A esposa de Ferruccio, que administrava a produção de tratores e o caixa da fábrica tentou dissuadi-lo da ideia: “Ferruccio, deixa disso, foi apenas um dia ruim”.

Não, dona Lamborghina. Foi o início da história: Ferruccio fez as contas e decidiu usar o orçamento de propaganda de seus tratores para construir a linha de produção dos carros. Se tudo desse certo, o negócio causaria tanto barulho (o que chamamos de “gerar buzz” hoje em dia) que a publicidade espontânea compensaria a ausência de anúncios.

Fácil, não? Nem tanto. Os bancos não quiseram financiar a investida, sua equipe também tentou o desencorajar falando da concorrência e das dificuldades, mas Lamborghini estava convicto de que teria sucesso. Além disso, ele achava que se o carro fosse bom para ele, seria bom para os outros.


Dois dias depois ele começou a formar a melhor equipe possível para construir um esportivo. Em questão de dias Ferruccio estava reunido com Giotto Bizzarrini e Gian Paolo Dallara (sim, eles são mesmo quem você está pensando que são) e ditando a receita exata para o carro. O logotipo foi escolhido por ser o signo de Ferruccio, como todos aprendemos na escola no FlatOut, mas não foi esse o principal motivo. Ele queria simplesmente algo que confrontasse visualmente o cavalo rampante de Enzo e o touro é um símbolo histórico de força e desempenho.

Como sabemos, o primeiro carro da Automobili Lamborghini foi o 350 GTV, que não chegou à linha de produção, mas foi a base para o 350 GT e, mais tarde, o 400 GT. O resto é história.


Agora, se você está curioso sobre essa coleção reunida em um galpão quase desconhecido — ao menos em relação ao Lamborghini Museum —, ela começou quando Tonino tinha 17 anos. Ele decidiu guardar os tratores e carros de seu pai em um galpão. Ferruccio não pensava em guardar seus carros, apenas em fabricar e vender.

Mais tarde, quando mais velho, Ferruccio perguntou ao filho se poderia usar os carros e os levou para o atual local do Ferruccio Lamborghini Museo. Seu filho conta que já no fim da vida, Ferruccio costumava ir até o galpão pelas manhãs passar um tempo entre suas criações enquanto fumava um cigarro. Alguém duvida que ele pensava na tal embreagem de vez em quando?

Fonte: Flatout
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