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Ensino do inglês nas escolas do Brasil não passa do verbo to be

Entre os fatores que escancaram a dificuldade do aprendizado estão aulas dadas em português e o início tardio do ensino.

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Nos negócios, nas ciências e até mesmo na cultura, o inglês é o idioma que se tornou universal, e falar de sua importância já se tornou até redundante. O ensino dessa que é a língua mais falada do mundo na soma de falantes nativos e pessoas que a usam como segundo idioma, porém, não é tão difundido como deveria no Brasil, e isso ficou ainda mais escancarado com a chegada da Copa do Mundo, que trouxe ao Brasil inúmeros turistas.

Aprender inglês pela rede pública de ensino no Brasil é um desafio.

Setores como comércio, segurança e hotelaria investiram fortemente em aulas de inglês para seus funcionários e trazendo a constatação de que o conhecimento da língua estrangeira é um problema para a maior parte da população.

O ensino do idioma na rede pública ainda enfrenta muitas dificuldades e a perspectiva parece não ser a das melhores. O fato de o estudante brasileiro ser, em geral, monolíngue, impactou até mesmo em políticas públicas de incentivo à internacionalização da educação. Em 2014, 110 bolsistas do Ciência sem Fronteiras tiveram que voltar para o Brasil por conta do baixo nível em inglês.

Alunos em sala de aula.

Uma pesquisa realizada pelo British Council e pelo Plano CDE, tentou entender as razões dessa deficiência. Segundo relatório da pesquisa, o desinteresse dos alunos em sala de aula e o fato de “mal saberem o português”, colabora para que os professores tenham que voltar sempre ao mais básico: “o verbo ”to be”, que é retomado continuamente.

O verbo to be é repetido ano após ano durante a etapa fundamental. Na última série do ensino médio, escolas de algumas regiões preferem focar na leitura. Ainda assim, os estudantes que têm interesse em aprender efetivamente a língua precisam, em geral, procurar cursos especializados.

Inglês ensinado na escola não passa do verbo to be.

Professores e alunos são categóricos em afirmar que não é possível aprender, no ensino regular, as quatro habilidades da língua — ouvir, falar, ler e escrever. O jornal Correio Braziliense entrevistou uma estudante para saber se a realidade é condizente.

“Se eu considerasse somente o que aprendi na escola pública, meu inglês seria muito básico. Hoje eu sei mais pelo meu interesse, por experiências de vida, lendo e vendo filmes em inglês. No ensino fundamental, era um revezamento entre presente simples e passado simples, sempre no to be”, contou Gabriela Oliveira, 16 anos, estudante do Centro de Ensino Médio Taguatinga Norte.

Na reportagem, Gabriela falou sobre sua pretensão em fazer ciências contábeis.

Bandeira da Inglaterra e a torre no noroeste do Palácio de Westminster.

A jovem confessou que quer seguir a carreira de auditora, e avaliou estar ciente do fato de que terá que “lidar com documentos em outras línguas”, embora reconheça que não é apenas o fator profissional que se torna importante para o conhecimento do inglês.

“Mesmo que a pessoa não goste, se viajar e não souber a língua local, com o inglês pode se virar”, diz.

Outros estudantes foram entrevistados e compartilharam, infelizmente o mesmo problema.

Programa nacional

O professor do Departamento de Letras e Línguas Estrangeiras da Universidade de Brasília (UnB) Gilberto Antunes Shavet analisou que a dificuldade no ensino é padrão não só no DF, como em todo o Brasil.

“Praticamente não há mudanças em outras regiões. Considerando a carga horária disponível, o número de alunos em sala, o nível diferente entre eles, fica um ensino capenga”, avalia.

De acordo com ele, nessas circunstâncias, o mais comum é que os professores optem por focar na compreensão da leitura. “Mudar é complicado. Uma das melhores experiências é mesmo a do CIL. Houve um tempo em que tínhamos um programa nacional, mas isso também não é bom nesse caso porque algumas regiões não conseguem se adequar”, recorda. Gilberto Shavet acaba por sugerir que os estudantes interessados busquem materiais didáticos por conta própria ou, para os que têm condições, cursos particulares para melhorarem a desenvoltura no inglês.

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