12/06/2018

Biólogo afirma ter transferido a memória de uma lesma para outra

Durante 45 anos de sua vida, o neurocientista Eric Kandel, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina no ano 2000, dedicou-se ao estudo da aplísia, uma espécie de lesma-do-mar. Interessado em descobrir os processos que envolvem nossa memória, buscou estudar o animal com o sistema nervoso mais simples que encontrou.

Seus experimentos se saíram melhor do que o esperado. Descobriu que nossos neurônios fazem mais ou menos as mesmas coisas que o gosmento ser marinho, com a diferença de que na gente eles se apresentam em em maior número. Assim, conseguiu identificar os genes e proteínas que possibilitam a permanência da memória nos neurônios.

Suas descobertas serviram de base para que outros pesquisadores aprofundassem os conhecimentos sobre a memória. Agora, um grupo de biólogos da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, afirma ter conseguido transferir a memória de uma lesma-do-mar para outra.


Para isso, os cientistas deram leves choques elétricos na cauda do bicho repetidas vezes, fazendo com que aumentasse o reflexo da lesma de se contrair diante à agressão. Por fim, esses apresentavam contração defensiva cada vez mais longas, chegando a 50 segundos. Um tipo simples de aprendizado conhecido como "sensibilização".

Os pesquisadores extraíram o RNA dos sistemas nervosos dessas lesmas traumatizadas e injetaram em sete que não receberam nenhum choque. Esses, passaram a se contrair em defesa como se elas próprias tivessem levado os choques, um processo que durou 40 segundos, em média. "É como se tivéssemos transferido a memória", afirma David Glanzman, autor do estudo e professor de biologia e fisiologia integrativa da UCLA.

Em seguida, os pesquisadores pegaram amostras de neurônios de lesmas normais e, em uma placa de Petri, misturaram com o RNA de animais que tiinham levado os choques e outros que não. Descobriram que, assim como acontece no corpo vivo da lesma, os neurônios que tiveram contato com a substância extraída das lesmas torturadas apresentou mais excitabilidade.

O biólogo está animado com a descoberta, que, segundo ele, pode servir como base para desenvolver a cura para doenças — em humanos, não lesmas. "Eu acho que, em um futuro não muito distante, poderíamos potencialmente usar RNA para melhorar os efeitos do tratamento do Alzheimer ou transtorno de estresse pós-traumático."

Fonte: Galileu
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