08/07/2018

Os médicos argentinos que prometeram desobedecer a lei caso o aborto seja legalizado na Argentina

Um grupo de médicos e clínicas que são contra o aborto, que está prestes a ser legalizado na Argentina, criou uma campanha que se define como “a favor das duas vidas”, onde ameaçam até mesmo com uma onda de desobediência civil caso o projeto seja aprovado no Senado e vire lei. A tensão é grande por lá e ficou ainda maior nos últimos dias, depois que a vice-presidente da Argentina, Gabriela Michetti, que é, também, presidente do Senado, reafirmou sua posição contra o aborto legal, inclusive em casos de estupro de menores de idade.

Profissionais de saúde de todas as regiões se uniram em grupos, entre eles o “Médicos pela Vida Argentina”, para reforçar sua posição não só por meio das redes sociais como também em manifestações públicas.

O projeto que já foi aprovado na Câmara e irá agora ser debatido no Senado, permite a chamada “objeção de consciência” aos trabalhadores de hospitais públicos e privados.

O que na prática isso significa? Bom, significa que os médicos vão poder, em um determinado prazo, registrar seus nomes numa lista de profissionais do sistema de saúde que se negam a realizar abortos. Mas não existe a objeção de consciência para instituições como clínicas por exemplo, que se legalizado o aborto serão obrigadas a fazer. Além disso, se o projeto se tornar lei, quem não avisar antecipadamente que não está disposto a praticar abortos poderá ser condenado pela Justiça a até três anos de prisão.

“A maioria dos médicos tem como objetivo curar pacientes e salvar vidas. Eliminar uma vida humana é algo difícil de aceitar. O aborto é uma situação violenta, expulsar do ventre um bebê vivo é uma loucura. Se fosse para salvar a vida da mãe, seria mais seguro, também para ela, concluir a gravidez.”, disse o cirurgião Luis Durán, que trabalha no Hospital de Clínicas de Buenos Aires e pertence ao grupo “Médicos pela Vida”.


Esses médicos argentinos que são contra a legalização do aborto, já realizaram passeatas e protestos em várias províncias, como Córdoba, Mendoza e Chaco. Nesta última, trabalhadores de clínicas que também se recusam a realizar abortos asseguraram que 90% dos médicos estão decididos a não aceitar uma eventual legalização dos procedimentos.

“Não ajudam mulheres em estado de vulnerabilidade. Aqui, 90% dos médicos não vão aceitar (realizar abortos) e aviso que isso é desobediência civil”, disse a médica Silvana Fernández Lugo, que liderou a manifestação no Chaco.

Na opinião do jornalista Mariano Obarrio, que virou uma espécie de líder do debate público contra a legalização do aborto, “cerca de 95% dos médicos argentinos são contra a iniciativa”:

— A Academia Nacional de Medicina é contra. Cresce o lema “não conte comigo”.

Quer tornar lei matar uma criança? Não conte comigo, pois vou desobedecer!

Fernando Secin, cirurgião especialista em urologia que também uniu-se ao “Médicos pela Vida”, disse que o cenário de desobediência dos médicos é muito provável caso o aborto se tornei lei aprovada.

“Quando nos formamos como médicos, juramos várias coisas, entre elas respeitar a vida humana desde sua concepção. Um dos pontos de nosso juramento diz que nem mesmo sob ameaça podemos utilizar nossos conhecimentos médicos contra as leis da Humanidade, como para matar. As mortes por aborto em mulheres entre 14 e 49 anos representam 0,5% do total. Não se trata de uma emergência sanitária, temos muitas outras prioridades antes”, disse Secin.

Vale lembrar que o aborto é a causa da morte de muitas mulheres e que na prática, se legalizado o número pode crescer como no país que é seu vizinho, o Uruguai, que seis anos após a legalização, viu o número de abortos subir para 37%.

A votação no Senado está prevista para o início de agosto. Será que essa lei vai passar?

Fonte: O Globo
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