29/12/2018

Como ser um fact checker e procurar a fonte de uma matéria, artigo, foto ou postagem feita na internet

Encontrar uma notícia falsa por aí virou rotina. Todos os dias uma fake news aparece seja no facebook, no twitter, no instagram enfim, nas redes sociais em geral, que é basicamente o lugar em que mais ficamos hoje em dia na internet. Achar uma notícia que não tem nada a ver é como encontrar monstros à noite no Minecraft.

A Curiozone veio com o compromisso de não divulgar nada que seja mentira e pagamos até um preço alto por isso. Isso porque embora a concorrência se importe muito mais com quantidade do que qualidade, nós preferimos deixar de lado os números, buscando o conteúdo, que é algo que vai nos levar até eles em um outro momento. Ou seja, podemos ter poucas postagens em relação a concorrência, mas todas as que temos, todos os nossos leitores já confiam e sabem que elas são verdadeiras, o que já não acontece com quem concorre diretamente com a gente. 

O problema, é que mesmo assim, de tanto páginas grandes disseminarem conteúdo falso e sem substância, as pessoas chegam até nós com um pé atrás porque já estão meio que "feridas" de tanto sofrerem com páginas com milhões de seguidores que não tem compromisso com a verdade.

Obviamente que confiamos no nosso conteúdo e foi justamente por isso, para ajudar de uma vez por todas nossos seguidores a tirarem a prova e buscarem a fonte da informação verificando qualquer tipo de conteúdo até mesmo o nosso, que decidimos mostrar como buscar a fonte de uma matéria, de uma foto, artigo ou qualquer tipo de postagem nas redes sociais. Chegou a hora de ser você mesmo um fact checker!


O que é o fact check

O fact-checking é, de um jeito bem resumido, uma checagem de fatos, isto é, um confrontamento de histórias com dados, pesquisas e registros.

Abaixo, você confere alguns dos passos principais que a nossa equipe busca sempre em uma informação, antes de postar para você.

Pesquisa por imagem

O primeiro passo e talvez o mais prático e rápido é a pesquisa por imagem. Sempre que se vê uma postagem com uma foto nas redes sociais e ela possui uma imagem, existe uma forma simples de se "rastrear" a fonte de onde ela surgiu.

Se você usa o Google Chrome, você pode simplesmente clicar com o botão direito do mouse em cima da foto e selecionar a opção "Procurar imagem no Google". Clicando nesta opção, uma outra aba do navegador será aberta e você poderá verificar os sites que contém a imagem.

Vamos verificar agora mesmo, aqui nesta matéria uma curiosidade bastante compartilhada e ver se ela é verdadeira ou não para que você aprenda com o exemplo:

No exemplo, temos uma curiosidade postada na página Fatos Desconhecidos, que no facebook, repostou a mesma informação mais de uma vez. No total, verificamos que a postagem foi feita inicialmente no dia 14 de setembro de 2015, pela segunda vez em 16 de abril de 2017 e mais recentemente pela terceira vez em junho de 2018.

Nas três postagens, a informação é a mesma: "Depois de serem pegos brigando na escola, esses dois alunos tiveram que escolher entre serem expulsos ou ficar de mãos dadas em público por 1 hora..."


Ao buscar a imagem no Google, verificamos que de fato há uma fonte confiável para o conteúdo. Para chegar até ela, tivemos que seguir os passos no PC: clicar com o botão direito do mouse sobre a foto > Pesquisar imagem no Google:



Se trata da ABC News (o portal de notícias da rede americana de televisão American Broadcast Company). Na reportagem, a ABC conta que os meninos ficaram de fato de castigo por terem sido pegos brigando na escola, só que há um porém! Diferente da informação repassada pela página, os garotos não ficaram uma hora e sim 15 minutos de mãos dadas. Ou seja, a informação está parcialmente incorreta, podendo assim ser considerada uma fake news.


O trecho em destaque: "...No início desta semana, os dois alunos da Westwood High School em Mesa, Arizona, que não podem ser identificados, foram confrontados com a opção de ficarem suspensos ou ficarem sentados em cadeiras no pátio da escola e de mãos dadas por 15 minutos durante o recreio. Eles optaram pela última..."

Nossa equipe entrou em contato com a Fatos Desconhecidos, para que fosse feita uma análise e saber o motivo pelo qual teriam divulgado a mesma informação incorreta três vezes seguidas. Mas infelizmente não obtivemos resposta até a finalização desta matéria.

Como usar palavras-chave no Google

Até hoje, é comum encontrar pessoas que não saibam usar o Google da maneira mais correta: com as palavras-chave. Se a informação não contém uma imagem, ou mesmo você não conseguiu verificar a fonte daquela informação através da opção de pesquisar por imagem, você pode simplesmente "pescar" da informação as palavras-chave principais do conteúdo.

Vamos verificar mais uma vez em um exemplo para você.

Temos aqui uma postagem feita em nosso Instagram. Nela, postamos o seguinte:


Note que na postagem, temos os principais elementos: um ladrão que foi preso, que ficou entalado ao invadir uma chaminé nos EUA, seu nome é Jesse Berube e sua idade é 32 anos. A partir daí podemos extrair desses elementos as seguintes palavras-chave: ladrão entalado chaminé Jesse Berube 32 anos.

DICA: Encontrar uma fonte fica mais fácil quando na postagem, se indica o nome, local e a idade.

Basta digitar as palavras-chave no Google e ele nos retornará com os seguintes resultados:


Em seguida, basta selecionar a primeira fonte, que é o portal G1:


Elementos principais de busca em uma postagem

Se a postagem fala de alguma pessoa em específico, é interessante notar:

1. Autor da fala
2. Data da publicação
3. Sobre o que é o contexto da fala
4. Se há foto, quando a foto foi tirada

Para dar um exemplo à você, vamos mostrar dois casos de fake news: no primeiro, uma fala que foi inclusive desmascarada pelo canal Cadê a Chave, por Nilce Moretto. Veja:

Wiston Ling em seu twitter postou o seguinte texto: "Foto do julgamento do assalto ao Banco Banespa da Rua Iguatemi, em São Paulo, ocorrido no dia 06/Outubro/1968. A assaltante usava um revólver calibre 38 e junto com seus comparsas levaram 80 mil cruzeiros, que seria equivalente à R$ 800.000. Alguém reconhece essa assaltante?" e a foto da jornalista Miriam Leitão.


Observe que é uma postagem em um perfil pessoal sem qualquer tipo de link ou bibliografia que mostraria uma revista ou jornal com a matéria falando sobre o assunto, logo, não sabemos de onde foi tirada essa informação. Para ir em busca da fonte, vamos investigar.

Suponhamos que ele seja um investigador muito competente e ele mesmo tenha descoberto isso. O que prova então que é verdade? Porque nada na foto confirma o que ele diz. Não há nada na foto além de um recorte que mostra o perfil, a frente e o apelido de Miriam Leitão. Não há data e nenhuma outra informação que conecte ao contexto que ele citou.


Com as informações que temos, vamos atrás da fonte com as palavras-chave mais uma vez: "Miriam Leitão assalto Banespa 1968."

O Google nos retorna com o primeiro link que é o de um agência de checagem. A da Boatos.org. Agências de checagem são organizações criadas para verificar se uma notícia é verdadeira ou não. Elas rastreiam a informação e mostram os passos seguidos para que você também faça esse processo.


Não é necessário confiar nas agências se você não quiser, existem outros indícios que mostram que essa tem um "cheiro forte de fake news".

O primeiro ponto a ser observado é que a foto não é do julgamento. Ela pode ser de qualquer coisa porque não há data nenhuma na foto e nenhum indicativo de nada. Como descobrir então se a informação é verdadeira? Simples! Basta copiar o texto publicado e ver onde mais existe essa informação. Dessa vez sem as palavras-chave. Vamos buscar o texto na íntegra.

O Google nos retorna com outros links do twitter. O link da postagem do Democracia Brasil com uma outra foto, dessa vez, a foto de Dilma. Ou seja, temos a mesma informação com fotos diferentes. Uma fake news!


Em um outro exemplo, temos o youtuber teen Felipe Neto que infelizmente acabou divulgando uma fake news. Em sua conta oficial, Felipe divulgou para milhares de pessoas que Olavo de Carvalho é contra vacinas.


Quando vamos divulgar informações sérias e que podem comprometer a fala de uma pessoa importante, devemos buscar compreender o outro lado e ver se realmente a fala foi dita pela pessoa. Sob pena de assassinarmos a reputação dela por conta de uma notícia falsa.

Indo em busca disso, observamos que Olavo já explicou que esta não foi uma afirmação dele. Em uma postagem onde respondia o jornalista Gilberto Dimenstein, criador do portal Catraca Livre, Olavo afirmou que isso é algo que "está formidavelmente acima de sua capacidade".

A frase do tweet de Olavo (que realmente existe) não expressa opinião alguma e tampouco é dele, se trata apenas da reprodução do depoimento do medico Carlos Armando de Moura Ribeiro, que era contra as vacinas e cumpriu cabalmente sua promessa de curar qualquer doença que parecesse necessitar delas, como relata o filósofo na postagem que fez em seu facebook oficial. Ou seja, Felipe Neto não soube distinguir uma citação de uma fala e não deve ter observado que no tweet de Olavo há aspas, indicando uma citação.


E então, já está pronto para ser um fact checker e ir atrás das fontes desmascarando as fake news que existem por aí? Diga nos comentários se você já conhecia ou que outras dicas você tem para dar e caso tenha gostado do conteúdo, escolha uma das redes sociais abaixo para compartilhar essa super dica com seus amigos.
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