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Empreendedor e especialista alerta para o perigo da Empiricus: “Eles são uma empresa de marketing, do pior marketing que existe”

Rafael Rez diz que embora não se deva confiar em promessas fáceis de ganhar dinheiro, o mais fácil é que várias pessoas caiam nessa armadilha

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Foto: Reprodução/Facebook

Na última semana você com certeza deve ter conhecido Bettina, da empresa Empiricus. Entre comentários de críticas e elogios, o anúncio que se tornou viral por ser exaustivamente mostrado antes de diversos vídeos do YouTube acabou se tornando um dos assuntos mais comentados na internet.

O empreendedor, professor e consultor de marketing Rafael Rez criou uma postagem que está chamando atenção na internet. Para ele, o modelo de negócios da Empiricus não é ser uma empresa de investimentos e sim uma empresa de marketing, mas do pior marketing que existe.

O empreendedor inicia falando que “Os grandes lucros são feitos de gente deslumbrada.”

Ele explica que faz o texto porque: “A polêmica da semana nas Redes Sociais é o vídeo da Bettina feito pela Empiricus.”

Rafael segue dizendo que mostrará o porquê da Empiricus fazer o que faz e como ela ganha dinheiro.

“A Empiricus ficou conhecida quando lançou em 2015 a campanha “O Fim do Brasil” e desde então vem fazendo lucros vendendo promessas de resultados mirabolantes na Bolsa de Valores.

A CVM já suspendeu analistas da Empiricus, os melhores analistas inclusive já deixaram a empresa, o mercado já reclamou da postura dela, mas nada parece parar a máquina de venda de PDF’s de investimentos.

A razão é simples e imutável: a fé de quem deseja ser enganado é inabalável.” — diz o especialista.

De acordo com Rafael, “existem três forças motivadoras que são incontestáveis no comportamento humano: a fé, a culpa e o medo. Toda vez que uma delas é acionada, o efeito sobre o comportamento é praticamente incontrolável. Quem domina estes artifícios psicológicos é capaz de moldar comportamentos e mover as massas. Na maioria das vezes, isso também envolve ganhar muito dinheiro. É assim com a cultura, com a política, com a religião, com as relações interpessoais e também com o desejo de enriquecer.”

O empreendedor segue explicando ainda que o “mapa destes comportamentos foi desenhado há décadas pelo psicólogo comportamental Abraham Maslow: a Pirâmide de Necessidades Humanas de Maslow. O que mudou de lá para cá é que a hierarquia já não é mais linear, mas as necessidades são as mesmas desde antes da linguagem sequer existir. Fazem parte da estrutura psíquica humana.

O mercado do atalho é secular e sempre se baseou em promessas mirabolantes. Sempre foi assim e não vai mudar.

Estes mercados se caracterizam por soluções empacotadas para problemas ligados aos três degraus superiores da Pirâmide de Maslow: relacionamentos, autoestima e autorrealização. São necessidades de cunho social que tiveram um crescimento exponencial com a internet e principalmente com as Redes Sociais: ao ver outros exibindo seus feitos e conquistas, as pessoas desejam obter o mesmo para si e se tornam presas fáceis para os inescrupulosos.

São exemplos: soluções para emagrecer, para ganhar massa muscular, para encontrar um parceiro de relacionamento ou um parceiro sexual, para ser mais inteligente, para ler mais rápido, para passar no vestibular, para ter sucesso, para ganhar dinheiro e por aí vai.

Acredita quem quer, promete qualquer um que acha que pode.”

Para Rafael, a Empiricus está se utilizando da força motivadora da fé, que segundo ele, é a crença de que existem segredos ocultos para ganhar muito dinheiro em um prazo curto e que eles serão revelados pelos relatórios da empresa. O que basicamente é a vontade do ser humano de ganhar dinheiro rápido e sem esforço.

O especialista em sua postagem que pode ser acessada no facebook, segue ainda dizendo: “Eu uso um nome para descrever as pessoas de fé inabalável: deslumbradas. É gente que acredita em promessas mirabolantes, em segredos ocultos, em macetes e atalhos para chegar a resultados que sabidamente exigem esforço.

Desde 2013, quando o mercado de produtos digitais explodiu no Brasil, uma enxurrada de produtos com promessas mirabolantes invade o mercado todos os meses.

Há legiões de pessoas sendo treinadas para vender soluções baseadas em promessas mirabolantes, desde os que seguem a Fórmula de Lançamento e criam cursos com as mais variadas promessas de realizações até os milhares de Coaches do IBC que nunca tiveram um único cliente pagante na vida, mas acreditaram na promessa de que poderiam ganhar o mesmo salário que um médico fazendo um curso de 8 dias que custa R$ 8.000.

O modelo de negócio da Empiricus não é ser uma empresa de investimentos. Eles são uma empresa de marketing, do pior marketing que existe: são especialistas em criar as maiores e mais criativas promessas, mas ninguém nunca viu alguém efetivamente ganhar dinheiro na bolsa com seus famigerados relatórios.

Mas agora tem a Bettina, que ganhou um milhão aos 22 anos investindo R$ 1.500.

É absolutamente implausível. Alguns especialistas em investimentos inclusive já prometeram doar R$ 20.000 caso Bettina e a Empiricus mostrem as notas de corretagem provando os feitos da moça. Para qualquer pessoas dotada de bom senso é evidente que os métodos são questionáveis, quando não desonestos intelectualmente.”

Rafael diz ainda em sua postagem que tem gente que acredita realmente em enriquecimento fácil, como também existe gente que acredita em homeopatia e até mesmo que a terra é plana. Para o professor e consultor de marketing, enquanto houver gente com mais dinheiro do que senso crítico, os mercados do atalho serão lucrativos.

“Quando vejo alguns amigos enaltecendo a empresa e suas técnicas de vendas, percebo que eles possuem o mesmo caráter dos fundadores da empresa: vale qualquer coisa para ganhar dinheiro.

Reclamar da Bettina não muda o comportamento das pessoas. A força da fé é justamente esta: as pessoas anseiam acreditar.

A fé é inabalável em quem deseja acreditar.” — diz Rafael.

A postagem de Rafael termina com a citação de Carl Sagan: “Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar.” — Carl Sagan

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