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O maior desastre ambiental da história no litoral brasileiro

As manchas de óleo foram encontradas no último dia do mês de agosto

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O derramamento de óleo é o maior desastre ambiental da história no litoral brasileiro. Foi o que disse, em nota, o Ministério Público Federal, que chegou, inclusive, a pedir na justiça uma multa diária de R$ 1 mi contra a União se não fosse feito alguma coisa, contrariando o Ministério do Meio Ambiente, que diz que colocou em ação o Plano Nacional de Contingência para conter o avanço do problema.

Procuram-se agora os responsáveis por isso. E bom, o governo venezuelano diz que não houve derramamentos de óleos em seus campos de petróleo, negando que seja responsável por isso. O problema, é que o Brasil não disse que a Venezuela tenha causado o problema, e sim que as análises mostram que o óleo encontrado aqui é proveniente de lá.

Em outras palavras, não significa dizer que foram eles que derramaram, mas inegavelmente o óleo foi produzido por eles.

A diretora do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (UFBA), disse que a análise de amostras recolhidas no litoral da Bahia e de Sergipe, apontou a presença de carbono e de biomarcadores e que têm semelhança com um dos tipos de petróleo produzido na Venezuela.

Manchas de óleo no litoral do Brasil.

A diretora vai mais além, dizendo que no Brasil, nenhum petróleo produzido apresenta distribuição de biomarcadores similares aos que foram encontrados nas amostras.

Pra você que não sabe, biomarcadores são organismos que viveram em determinadas eras geológicas, possibilitando comparar as idades das bacias petrolíferas.

No meio de todo esse problema, algumas questões surgiram dos leitores da Curiozone e a nossa equipe selecionou as principais e melhores para responder na matéria.

Quando e onde essas manchas foram vistas primeiro?

As primeiras manchas de óleo foram vistas na Paraíba, até agora com 16 locais afetados, no dia 30 de agosto nas cidades de Conde e Pitimbu, que ficam a cerca de 40km uma da outra. As três primeiras praias onde as manchas foram avistadas são Praia de Gramame e a Praia de Tambaba, ambas em Conde, além da Praia Bela, em Pitimbu.

Existe algum risco de o óleo atingir o Norte e o Sudeste?

O pesquisador Guilherme Lessa, da Universidade Federal da Bahia, garantiu que as alterações na circulação oceânica e atmosférica reduzem o deslocamento da mancha de óleo para a região Norte. Ainda segundo Guilherme, a partir de setembro, há um deslocamento de massas de água costeiras para o sul, o que pode levar o óleo para áreas distantes. Porém, não tem como prever se o Sudeste ou outros estados serão afetados, considerando que não se sabe exatamente a origem e quantidade de óleo no vazamento.

Que atitude o Brasil pode tomar contra a Venezuela?

Não há, por enquanto, qualquer acusação de que o óleo tenha sido vazado da Venezuela e sim de que o óleo é produzido lá, como já foi dito anteriormente. Por essa razão, não tem como o Brasil tomar nenhuma medida contra o governo venezuelano. De acordo com especialistas, se fosse o caso, o governo poderia impôr sanções econônicas e diplomáticas, mas não é.

O governo está fazendo alguma coisa?

O Ministério do Meio Ambiente diz que as ações do Plano Nacional de Contingência (PNC) e do Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA) estão em funcionamento desde o início em uma operação que mobiliza vários órgãos do governo federal. São eles a Polícia Federal, o IBAMA, ICMBio, a Agência Nacional de Petróleo, a Petrobras, o Exército Brasileiro, a FAB, Universidades Federais e mais todos os recursos disponibilizados pelos estados e municípios, além do terceiro setor.

Ainda de acordo com o Ministério, desde o início de setembro, mais de 1000 homens, helicópteros, aviões e barcos estão sendo empregados nas operações de retirada de óleo.

A Marinha disse, em nota, que foram empregados até o momento, 1.583 militares, 5 navios e uma aeronave de 48 Capitanias dos Portos na contenção, neutralização e investigação das manchas de óleo. Além disso, 30 navios-tanque de 10 países diferentes serão motificados para prestarem esclarecimentos.

O ministro Ricardo Salles publicou fotos da força-tarefa em ação para conter os problemas

E os tambores da Shell?

Recentemente foi divulgada a informação de que tambores de óleo com a logomarca da Shell foram encontrados pela Marinha, na Praia da Formosa, no Sergipe. Só que a Shell disse, em nota, que se trata de embalagens de lubrificantes para embarcações, de lote não produzido no Brasil e que eles não transportam petróleo cru em barris em rotas transatlânticas. Além disso, há uma divergência entre a data da embalagem (que é de 17 de fevereiro) e o início das manchas no Nordeste, que começou a impactar a costa em setembro. Você agora deve estar se perguntando então como os barris foram parar lá.

 

Barril da Shell.

Para a Shell, os fatos apontam para uma possível reutilização da embalagem em questão – reutilização esta que não foi feita pela Shell.

Por outro lado ainda existe outro tambor que foi encontrado no dia 17 de outubro no litoral do Rio Grande do Norte. De acordo com a Shell, se trata de embalagem de Omala S2 G 220, uma outra linha de lubrificantes. A Marinha relatou em um informe que esse tambor estava fechado, com a presença de um líquido ainda não identificado em seu interior, e não apresentava vazamento.

Em quanto tempo o ambiente poderá ser limpo por completo?

Não tem como definir ainda quanto tempo pode levar para tudo ser completamente limpo, já que o que pode ser feito são barreiras de contenção na foz do Rio Sergipe e do Rio Vaza-Barris (sem trocadilho), que são dois dos mais importantes do estado, para conter o óleo. Mesmo assim, de acordo com o Ibama, essas barreiras de contenção utilizadas em regiões litorâneas do Nordeste como a Reserva Biológica Santa Isabel e o Rio São Francisco, podem não alcançar a eficácia pretendida.

Pra você que não entende, funciona assim: essas barreiras têm duas formas de funcionar, onde uma delas impede a passagem do óleo superficial (devido a sua densidade ser menor que a da água) por meio de boias, enquanto a outra visa conter que camadas sub-superficiais do óleo atravessem a contenção.

Segundo o Ibama, o óleo que atinge o litoral do Nordeste viaja por debaixo da superfície, o que torna difícil, por exemplo, a visualização da mancha por satélites, sobrevoos e monitoramento com sensores. Além disso, a velocidade das correntes também influencia a eficácia da contenção.

Apesar, disso, o órgão pediu à Petrobras que disponibilizasse 200 metros de barreiras para ficarem à disposição.

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