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Fim da década em 2019?!

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Desde os tempos imemoriais, os homens por meio do aprendizado através da observação começou a atentar que de tempos em tempos, alguns curtos e outros mais longos, algumas características se repetiam, como por exemplo: o nascer e o poente do sol, períodos de calor, de chuvas, período de nascer das fores e de cair das folhas. Essa observação e aprendizado permitiu ao homem saber o tempo de semear e de colher, sobretudo, de sobreviver e desenvolver-se. Essa circunstância possibilitou um certo controle do tempo, ou pelo menos, minimamente entendê-lo para poder realizar suas ações com no mínimo uma previsão.

A nossa vida, atualmente, gira em torno do controle do tempo. Temos que separar tempo para estudar, fazer exercícios, passeios, trabalhar e muitas outras atividades. Para que isso fosse possível, o homem começou a desenvolver instrumentos de medição e controle como o relógio e o calendário. Começamos a dividir o tempo em segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos, décadas e séculos, para ficarmos só nos mais usuais. A nossa vida depende do controle do tempo, pois sem ele, não vemos a nossa vida passar.

Em nossos dias, uma criança no sexto ano do ensino fundamental aprende sobre as questões mencionadas acima. Aprende que há dois tipos de tempos na História: o tempo cronológico, que é o tempo do relógio e do calendário, ou seja, o tempo sequencial; o tempo histórico é quando ocorre um grande evento importante para a história de um povo, geralmente um marco de ruptura, como exemplo podemos citar:  A Queda de Roma no ano de 476, Descobrimento do Brasil em 1500 e Revolução Francesa 1789.

Ao longo da história inúmeras culturas pelo mundo tentaram de alguma forma entender a passagem do tempo observando os corpos celestes e as variações das estações. Não é diferente em nossos dias, pois uma série de memes brincaram que os humanos celebram a completude do movimento da Terra em torno do Sol. Esse movimento dura um ano e se chama Translação. Essa questão não é novidade como já falamos, entretanto, não observamos memes ridicularizando uma data comemorativa tomando por base os movimentos celestes, dessa maneira é celebrado o Dia das Bruxas, cada vez mais em alta no Brasil. Esse dia marca o equinócio de verão.

O calendário que o Ocidente é baseado no calendário gregoriano. Esse calendário tem por base o nascimento de Jesus Cristo. Tanto é que a  História é feita na divisão a.C. (antes de Cristo) e d.C (depois de Cristo). Olha aí a questão do tempo histórico influenciando no cronológico. Para a cultura cristã, esse calendário faz todo sentido, mas para quem não é adepto do cristianismo, não tem importância, porém eles seguem por questões de política e economia internacional. Para os judeus, que descendem do povo hebreu,  calendário não está no ano 2020, mas sim no ano 5780. A razão é que os judeus não entendem que Cristo seja o Messias, portanto eles ainda estão esperando e o evento que abriu a contagem do seu calendário foi o Êxodo. A saída do povo hebreu do cativeiro no Egito. Já o calendário muçulmano tem como marco primordial a Hégira, que foi quando o profeta Maomé saiu de Meca para Medina, cidade em que se fortificou e partiu para expandir a fé islâmica no século VII (d.C.). Estamos no ano 1441 no calendário islâmico.  Poderíamos  ainda observar outros calendários como o da China e o da Índia, que são bem peculiares.

A formação do nosso calendário, e o que trouxe equívocos desde usuários mais desavisados e distraídos das redes sociais até jornalistas que produziram textos e publicaram, é a questão do fim da década. O ano base do nosso calendário é o 1. Isso mesmo, o ano 1. Nosso calendário não possui o ano zero, mas sim o ano um. Por isso, todo início é o um e todo término é o zero. Sendo assim, a década vai do 1-10. O século vai do 1-100. Consequentemente a década que iniciou-se em 2011 irá terminar em 2020. O século que começou em 2001 vai terminar em 2100 e o milênio que começou em 2001 vai terminar no ano 3000. Então caro leitor, se você nasceu em 2010, você nasceu na década passada. Ou se você nasceu no ano 2000, você é do século XX e não desse século. Note uma curiosidade, se cortamos os dois últimos dois zeros do ano 2000, teremos o número 20, o que diz que o senhor é do século passado. Compreendeu?

 

Leandro Buffon, 35 anos, é professor formado em História pela UFRRJ, onde também obteve o título de Mestre em História. Atualmente está em um novo desafio, cursando Psicologia. Escreve semanalmente na coluna Buffoniando para a Curiozone.

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