Se conecte com a gente

Aconteceu

O trio de Belém que conseguiu escapar do colapso das UTIs na cidade

Quando a farinha ficou pouca, o pirão deles já estava pronto

Publicado

no

Foto: Reprodução/Google

Imagine a cena: depois de tanto rodar em vários outros lugares, finalmente você desce do carro e encontra pessoas em filas quilométricas, gritaria, desespero… Todos em busca de uma vaga em uma Unidade de Tratamento Intensivo do hospital, já que você está com uma pessoa ao seu lado com falta de ar e prestes a morrer. Diante desse caos, os atendentes dizem gritando pra que todos ouçam que não tem vaga e o atendimento irá demorar. A antesala do inferno, não é mesmo? É mais ou menos isso que acontece desde abril com o colapso do sistema médico no estado do Pará.

Fugir desse cenário em um piscar de olhos seria o ideal, mas você deve imaginar que é praticamente impossível. Bom, impossível para alguns e perfeitamente simples para outros. É o caso de um trio na cidade de Belém, que virou notícia no início de maio por simplesmente conseguir fugir disso na hora.

Jonas Rodrigues, José Santos e Kleber Ferreira fazem parte do trio. Além do teste positivo para Covid-19, o fato de terem subestimado a doença e da conta bancária bem obesa, esses três caras tem outra coisa em comum: para fugir da morte, eles abriram a carteira e conseguiram fugir para o aeroporto, embarcando em jatinhos equipados com UTIs, rumo aos melhores hospitais de São Paulo.

O filho de Jonas disse um pouco sobre o pai: “Não era muito adepto do álcool em gel. Estava trabalhando todos os dias no escritório, sem home-office, passeava pela cidade e ia às compras mesmo sendo dono uma rede de supermercado…”, conta. Não deu outra. Ele, o pai e a mãe contraíram Covid-19. “Se arrependimento matasse…”, comenta.

O segundo do trio é José, que achava que era imune ao vírus. Ele até que se exercitava todos os dias e sempre manteve uma alimentação saudável (que vale lembrar nunca é bom ignorar), mas por descumprir as recomendações de isolamento, acabou infectado pelo coronavírus que surgiu na China, e agonizou com a doença, deixando sua família apreensiva.

Kléber, o terceiro do trio, foi secretario de Transportes do estado do Pará. Ele também não dava bola para o vírus e levava uma vida como se nada estivesse acontecendo. Bastou uma tosse enquanto assistia TV, para saber que dias depois passaria bem perto de morrer.

Não demorou muito pra que ele conseguisse logo duas vagas nos apartamentos do Hospital Sírio-Libanês em São Paulo. Uma vaga era para ele, claro, e a outra para sua mulher, a cirurgiã plástica Lastênia Menezes, que acabou também sendo infectada com o novo coronavírus chinês.

O empresário Kleber Ferreira Menezes e a mulher, a cirurgiã plástica Lastênia Menezes, embarcaram do Pará rumo ao Sírio-Libanês, em São Paulo, numa UTI aeromédica.

Um levantamento atestou que diariamente oito pacientes de Covid-19 embarcam em jatos com UTI da cidade de Belém para outros estados. E eles não estão fugindo à toa quando são contaminados. A nova doença devastou a capital numa velocidade assustadora.

O único problema, é que pegar uma UTI aérea não é nada barato, pelo contrário, o preço é salgado até demais. O custo médio para transportar um paciente entubado de Belém até São Paulo gira em torno de 120 mil reais. Isso porque o valor é calculado pela quilometragem e em tempos de pandemia, as tarifas sofreram aumentos de até 30% por causa da alta demanda e do risco de contaminação a que a tripulação se sujeita quando transporta esses pacientes.

Também é importante destacar que o custo de tudo isso, vem por manter enfermeiros e médicos em casa à disposição 24 horas para uma possível emergência. Além disso, o voo numa UTI aeromédica é uma coisa bem delicada quando o paciente tem problemas respiratórios por conta do aumento da pressão atmosférica nas alturas. Isso tudo sem contar o fato de que a equipe voa sempre com muito medo de ser infectada, mesmo que o paciente siga a viagem como se fosse um astronauta, todo “embrulhado” num plástico de polietileno.

Na UTI aeromédica, existem todos os equipamentos que uma UTI hospitalar tem. Todos os voos são feitos com um médico intensivista e um enfermeiro totalmente especializado. Se o infectado com Covid-19 embarcar respirando e, pela viagem, enfrentar problemas para respirar, ele é entubado durante a viagem.

Um médico chamado César Collyer é intensivista, e atua na linha de frente no combate ao coronavírus em Belém, no Hospital Ophir Loyola, que pertence à rede estadual especializada em câncer, mas que ficou com suas 30 UTIs abarrotadas de pacientes com Covid-19.

Em uma entrevista, ele mandou o recado: “Nunca vi nada igual em meus 20 anos de carreira. Ontem, um médico da minha equipe morreu contaminado por esse vírus. Estamos esgotados fisicamente e psicologicamente. Me sinto com as mãos atadas por ver pessoas morrendo todos os dias sem ter o que fazer”, desabafa. “Quem tem dinheiro tem mais que procurar atendimento fora de Belém porque a rede particular também está colapsada”, avisou.

Publicidade
Click para comentar

Deixe uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade
Publicidade

Em Alta