Se conecte com a gente

Curiosidades

Quando e como pandemias chegam ao fim? Especialistas explicam

Historiadores contam como diversas pandemias na história chegaram ao fim e projetam como a Covid-19 pode acabar.

Publicado

no

Desde que foi anunciada, a pandemia de Covid-19 mudou a vida de muitas pessoas. Seja social, cultural e econômico ou até mesmo na natureza, é inegável que a pandemia causou impactos. É um acontecimento que vai entrar para os livros de história com seu começo e inevitável fim.

A grande questão é que estamos no meio disso tudo e muitos se perguntam quando e como será o fim.

Pra você que tem interesse em saber, a Curiozone mostra pra você na matéria de hoje com ajuda de uma análise de precedentes históricos, como e quando a pandemia da Covid-19 irá chegar ao fim.

Bom, o que os historiadores sabem, é que existem pelo menos duas formas das pandemia terminarem: o fim médico, que acontece quando a incidência e taxas de morte disparam, e o social, quando a epidemia do medo da doença não existe mais.

Paciente com covid-19 recebe alta em hospital chinês

Segundo afirmou Dora Vargha, historiadora da Universidade de Exeter, os finais de uma epidemia “são muito confusos”. A historiadora disse que “Fazendo uma retrospectiva, temos um discurso frágil. Por meio de quem a epidemia acaba e quem tem algo a dizer?”.

“Quando as pessoas perguntam ‘quando isto terminará?’, elas estão se referindo ao fim social”, disse Jeremy Greene, historiador de medicina. O fim de uma epidemia pode acontecer não necessariamente porque a doença foi vencida, mas simplesmente porque as pessoas decidiram não ter mais medo e aprenderam a conviver com a enfermidade.

Foto de arquivo mostra médica atendendo uma paciente com Covid-19 em Unidade de Terapia Intensiva de hospital na Califórnia, nos EUA

Um historiador de Harvard chamado Allan Brandt, disse que algo bem similar vem acontecendo com a doença causada pelo novo coronavírus que surgiu na China. “Como temos visto no debate sobre uma abertura da economia, muitas perguntas sobre o chamado fim da epidemia são determinadas não pelos dados médicos ou de saúde pública, mas por processos sociopolíticos”.

É interessante observar que uma epidemia de medo acontece mesmo sem uma doença real. E quem observou esse fenômeno foi Susan Murray, do Royal College of Surgeons, em Dublin. Ele vivenciou isso em 2014, quando era membro de um hospital rural na Irlanda.

Meses antes, 11 mil pessoas tinham sido mortas na África Ocidental por conta do ebola, uma doença viral altamente infecciosa e por vezes fatal. Era como um estalar de dedos. A epidemia parecia ter desaparecido e nenhum caso tinha se verificado na Irlanda. Mesmo assim o temor público dava pra se sentir de pertinho.

“Nas ruas e nos hospitais as pessoas estavam inquietas”, lembrou a médica em um artigo para o The New England Journal of Medicine. “Ter a cor de pele errada é o suficiente para você ser visto com suspeita pelos passageiros dentro de um ônibus ou trem. Se tossir, as pessoas procuram se afastar de você”.

“Se não estamos preparados para lutar contra o medo e a ignorância de modo tão ativo e racional como combatemos qualquer outro vírus, é possível que o medo cause danos terríveis a pessoas vulneráveis mesmo em lugares onde nenhum caso de infecção é constatado durante um grande surto. E uma epidemia de medo tem consequências muito piores quando estão envolvidos também problemas de raça, privilégio e língua”.

Coronavírus

A peste bubônica apareceu várias vezes nos últimos dois mil anos e matou milhões de pessoas mudando completamente o curso da história. Isso porque cada epidemia ampliava o medo de um próximo surto da doença.

Os historiadores relatam sobre pelo menos três grandes ondas de pragas, disse Mary Fissel, historiadora da instituição Johns Hopkins: a Praga de Justiniano, no século VI, a epidemia medieval no século XIV e uma pandemia que atingiu o mundo no final do século XIX e início do XX.

A pandemia medieval que começou em 1331 na China, juntamente com uma guerra civil que estava acontecendo na época, chegou a matar metade dos cidadãos chineses. De lá, a doença foi levada através das rotas comerciais para o Oriente Médio, para o Norte da África e para a Europa. Entre 1347 e 1351, ela matou pelo menos um terço dos europeus. Metade da população de Siena, na Itália, morreu.

A pandemia tinha acabado, só que a doença voltou e um dos piores surtos dela iniciou na China no ano de 1885, se espalhando para o mundo e levando mais de 12 milhões de pessoas a óbito só na Índia. Para tentar liberá-los da praga, autoridades de saúde em Mumbai chegaram a incendiar bairros inteiros. Só que de acordo com o historiador da Universidade de Yale, Frank Snowden, “Ninguém soube se isso ajudou”.

Há quem diga que o frio acabou com as pulgas que transportam a doença, só que na real ninguém sabe ao certo, já que essa hipótese do frio mesmo não iria interromper a propagação pelas vias respiratórias, de acordo com o historiador Snowden.

Uma outra hipótese para o fim é que a bactéria se tornou menos letal quando evoluiu. Ou talvez a queima de vilarejos inteiros tenham ajudado a sufocar a epidemia.

Ermando Armelino Piveta, ex-combatente da FEB que venceu Covid-19

A peste mesmo nunca desapareceu. Tanto é verdade, que hoje, em pleno século XXI, infecções endêmicas acontecem entre os cães de pradaria (um tipo de roedor da família dos esquilos que late como um cachorro) no Sudoeste americano e podem ser transmitidas para as pessoas. Claro que tais casos são raros e hoje são tratados com antibióticos, mas qualquer notícia de um caso por causa dessa praga já causa medo.

Se você tiver interesse em ler mais sobre epidemias na história, o professor de história e colunista da Curiozone Leandro Buffon, falou um pouco na coluna Buffoniando. Para ler mais é só clicar aqui e conferir.

Como a Covid-19 vai acabar?

Os historiadores contam que a pandemia do novo coronavírus pode acabar de forma social, antes de ser extinta do ponto de vista médico. As pessoas podem ficar tão cansadas das restrições que acabam por declarar a pandemia encerrada, mesmo com o vírus persistindo na população e antes de uma vacina ou um tratamento eficaz serem encontrados.

A vida na Nova Zelândia recentemente já voltou ao normal. Isso porque o país já se declarou livre da Covid-19 depois de mais de três meses de restrições para conter a disseminação do coronavírus. Os neozelandeses já se abraçam, vão ás compras e planejam festas, mesmo com boa parte do mundo ainda enfrentando a pandemia.

Indo na contramão dos americanos e da maioria dos países da Europa, que trabalham com a ideia de conter o coronavírus, a Nova Zelândia optou por uma estratégia de eliminá-lo completamente. Por lá, o governo impôs ciclos de isolamento social completo, apostando em regras de isolamento severas antes mesmo do primeiro óbito e em testagem em massa dos cidadãos.

Além disso, as fronteiras do país estão fechadas desde o dia 19 de março – antes, por exemplo, de os EUA anunciarem uma possível restrição das viagens entre o país e o México. Um fato que pesa a favor da Nova Zelândia é que o país é uma ilha, dessa forma, o isolamento foi muito mais eficaz. O resultado foi uma pandemia controlada, com 1.504 casos e 22 mortes pela Covid-19, doença respiratória causada pelo coronavírus.

Publicidade
Click para comentar

Deixe uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade
Publicidade

Em Alta