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Transposição do rio São Francisco, um projeto dos tempos do Império

O Império do Brasil já pensava nessa ideia muito antes de qualquer presidente que veio depois na república.

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Transformar o sertão do nordeste em um mar é uma ideia que tem pelo menos dois séculos, e não é obra pensada por nenhum presidente da república. Essa ideia de transposição é tão antiga, que a palavra na verdade antes era “encanamento”, e Dom Pedro II esteve bem perto de executar o projeto.

Imperador D. Pedro II

Quem pode provar isso são os documentos históricos guardados no Arquivo do Senado, como também documentos do Arquivo da Câmara, que mostram que diversos projetos de lei que previam a transposição, chegaram a ser discutidos por senadores e deputados do Segundo Reinado.

“Basta fazer um canal. Não é difícil. Cavar e atirar a terra para os lados pouco custa. As mesmas águas que correm farão o resto”, disse o deputado França Leite.

deputado nordestino França Leite

As secas cíclicas castigam o Norte (como se chamava a porção do país acima de Minas Gerais) desde sempre. Elas acabam com plantações, matam rebanhos e levam sede, fome, doença e miséria à população com a falta do saneamento básico.

Infelizmente nenhum projeto vingou no império.

Mas a grande questão é remontar a época em que alguém se importou com o Brasil ainda no seu começo, e só mesmo alguém que conhecia o país e tinha imenso amor por ele, poderia ficar encantado e entusiasmado com as quedas d’água que formam a cachoeira de Paulo Afonso, no norte da Bahia. Foi o que aconteceu com o imperador D. Pedro II, que chegou a escrever em seu diário de viagem: “É belíssimo o ponto que se descobrem 7 cachoeiras, que se reúnem na grande que não se pode descobrir daí, e algumas grandes fervendo a água em caixão de encontro à montanha que parece querer subir por ela acima; o arco-íris produzido pela poeira da água completava esta cena majestosa”.

Navios a vapor percorrem o São Francisco, em Alagoas, em 1870: províncias do Império brigaram para receber águas do grande rio.

Voltando de viagem, o imperador pediu que Auguste Stahl, fotografasse a paisagem, tamanha admiração que ele teve. Um ano depois, em 1860, a foto foi feita. O pintor alemão Germano Wahnschaffe produziu o óleo a partir dela.

Cachoeira de Paulo Afonso, pintura à óleo do pintor Germano Wahnschaffe.

A proposta de transpor as águas do São Francisco como solução para a seca foi retomada nos governos de Getúlio Vargas, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, e a república foi tão eficiente, que a obra só foi sair do papel mesmo no governo Lula e mesmo assim, ainda causou muita polêmica por conta do altíssimo custo e impacto ambiental.

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