Se conecte com a gente

Aconteceu

Sem internet, pai percorre 28 km de bicicleta de um estado a outro toda semana para buscar tarefas dos filhos

O roçador Edemilson Wielgosz pedala do sítio em Guaratuba, no litoral do Paraná, até o colégio que fica em Garuva (SC).

Publicado

no

Foto: Arquivo Pessoal/Herison Schorr

Pedalar todas as terças-feiras de Guaratuba, no litoral do Paraná até Garuva, Santa Catarina em um trajeto que de ida e volta soma 28 km pode ser um desafio para alguns, para outros como o roçador Edemilson Wielgosz, é algo totalmente necessário. Ele se vê na obrigação de fazer isso, já que quer lutar para dar dignidade a seus filhos, que não tem computador e nem internet para estudar nesse momento difícil em que o país atravessa.

O sítio onde a família mora, é às margens da BR-376, em Guaratuba, no litoral do Paraná.

“Estou lutando para dar dignidade a eles. Falta muita coisa e o que temos é simples, mas nunca faltou carinho e empenho. Já passamos por muitas dificuldades, ainda dói, mas desistir não é uma opção. Nunca foi”, disse o pai.

Na reportagem do portal G1, o pai conta que tem quatro filhos. Wellinton, de 16 anos, Amabili, de 14, e Nicole, de 12 ficaram com ele, já a mais velha se casou e não mora mais ali.

“Amabili parece que quer ser policial, Wellinton quer ser caminhoneiro, e a Nicole quer ser professora. Dá um orgulho ver eles sonhando e acreditando em um futuro melhor, né. Se Deus quiser vai dar tudo certo”, diz o pai que mora em uma casa de madeira à beira da estrada, onde é bem raro conseguir sinal de telefonia. Quando tem, Edemilson aproveita para fazer ligações, quando precisa, no trabalho, e os filhos se arriscam sempre caminhando pela rodovia até encontrarem algum sinal para o celular.

“Nasci e me criei aqui, mas é ruralzão, né? É gostoso o nosso lugarzinho, sossegado, tem um rio perto, mas tem esses problemas. Eles se arriscam pela estrada até algum restaurante ou estabelecimento para conseguir sinal”, explicou o pai, que disse que sempre que o trabalho dos filhos exige algum tipo de pesquisa, um deles vai até a região que tem sinal móvel, tira print com o celular e volta com o conteúdo para terminar em casa.

“É arriscado, mas é o jeito. Eu mal tenho condições de colocar um prato cheio na mesa, quem dirá um computador e internet. É muito caro, eu não ia conseguir pagar nesse momento, então faço o que posso sem nem reclamar. Não é feio passar aperto, feio é não tentar mudar e fazer o melhor que pode. A mãe deles foi embora do nada. Faz nove anos que eu cuido deles sozinho. Quando eles eram menores, eu sempre preparava a comida e lavava as roupas a noite, depois do trabalho. Agora com eles mais velhos, fica um pouco mais fácil administrar serviço e casa”, contou.

O pai trabalha há 18 anos em uma pousada. O problema, é que por causa da pandemia do novo coronavírus que surgiu na China, o local não paga o salário há mais de três meses, segundo ele.

“Lá eu faço de tudo, roçada, limpeza, serviço de jardinagem. Eu ganho um ‘salarinho’ que não dá muita coisa. Só que agora faliu, eles não têm mais dinheiro para pagar a gente. Eu estou aguentando até encontrar outro serviço. Está bem complicado. Me preocupo”, comentou.

“Sem essas ajudas não daria certo, não teria como viver. O sonho deles [dos filhos] é o meu também, e vejo que eles são gratos pelo meu esforço. Vou quantas vezes precisar e até mais longe. Meu amor por eles me move”, afirmou.

Publicidade
Click para comentar

Deixe uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade
Publicidade

Em Alta