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Apagão no Amapá: o problema do monopólio imposto pela violência

Assim como em todo o Brasil, os amapaenses são escravos de uma única empresa de energia e não podem escolher de quem receberão luz, fato que levou o estado ao caos.

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O Brasil inteiro acompanha, hoje, o caos que acontece no estado do Amapá, no norte do país. Só pra você ter uma ideia, uma projeção do IBGE para 2020, mostra que o Estado do Amapá tem cerca de 860 mil habitantes. Segundo o Ministério de Minas e Energia, 85% dessa população foi afetada pelo apagão, ou seja, são cerca de 730 mil pessoas, hoje, sem energia. A situação também acabou afetando o fornecimento de água, uma vez que sem eletricidade as bombas hidráulicas também não funcionam.

Imagine você ficar sem luz, alimentos estragando na geladeira, hospitais sem energia… Um caos completo.

Enquanto muitos desviam os olhares para outros culpados, a Curiozone hoje, mais uma vez, ajuda você a entender o verdadeiro problema.

O que aconteceu no Amapá?

Antes de tudo, é necessário entender o que aconteceu no Amapá. Pra quem não sabe, quase todo o estado do Amapá, que fica na região norte do Brasil, é ligado a uma substação de energia da empresa espanhola Isolux, situada na capital do estado, Macapá. Essa subestação distribui energia para todo o estado, com exceção do extremo norte do Óiapoque (ligado a uma rede elétrica da Guiana Francesa), e Laranjal do Jari, no extremo sul (ligado a outra rede elétrica). Todo o restante do estado passa pela subestação da Isolux. Há, inclusive, uma linha de transmissão que vai de Laranjal do Jari até Macapá, ligando, portanto, o Estado inteiro a rede nacional de energia elétrica.

De acordo com matéria da BBC, dois de três transformadores dessa subestação de Macapá pegaram fogo, sendo que o terceiro já estava parado para manutenção desde o ano de 2019, fazendo com que a subestação ficasse sem absolutamente nenhum transformador de energia.

“Foi reportado um incêndio no transformador 1 da subestação de Macapá, de propriedade da LMTE [Linhas de Macapá Transmissória de Energia], tendo sido registrado perda total na unidade”, informou o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico, responsável por monitorar o fornecimento de energia em todo o Brasil), em nota.

Incêndio nos transformadores ocorreu em uma substação de energia da empresa privada espanhola ISOLUX.

De diversas formas foi tentado recuperar os dois transformadores. A solução mais simples, no entanto, é recuperar o transformador que estava em manutenção, ao invés de restabelecer os que pegaram fogo. Isso porque, o tipo de peça que foi danificada nos transformadores, segundo especialistas, não é algo fácil de ser encontrado, como se você fosse na loja da esquina para comprar um novo, por exemplo, pois não existe tanta disponibilidade de oferta desse tipo de coisa.

Consertar o que estava em manutenção, então, será a solução para amenizar pelo menos 70% do transtorno que vive hoje o estado do Amapá. Algumas regiões ainda ficarão sem energia, já que para atender 100% do estado, é necessário que dois transformadores estejam em atividade.

Em um dos planos, que leva 15 dias, sendo, portanto, o mais demorado, mas que garantiria 100% do fornecimento de energia, um segundo transformador será transportado da subestação de Laranjal do Jari a capital do Estado. A demora, se dá no fato de que para o transporte, é preciso desmontar o transformador, retirar o óleo, fazer transporte fluvial, terrestre e instalação.

Bolsonaro afirma que 62% já foi restabelecido

De acordo com o presidente Jair Bolsonaro, 62% da energia já foi restabelecida no Estado. A Marinha deslocou o Navio-auxíliar Pará, o Navio-patrulha Guanabara, Navio Doca Bahia e a Aeronave UH-15 para ajudar no controle dos transtornos.

A previsão é que ainda neste domingo, a maior parte do Estado já tenha o retorno da energia.

Portabilidade: a chance de tirar Brasil do atraso no setor elétrico

Uma reportagem feita pelo jornal da USP (Universidade de São Paulo), fez coro a matéria feita pela Curiozone em janeiro de 2019, que foi novamente compartilhada há poucos dias, em outubro deste ano. Na matéria do jornal da universidade paulista, o professor e engenheiro elétrico Fernando Lima Caneppele, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga, especialista em Eficiência Energética, Estudos da Matriz Energética e Geração de Energia, diz que a portabilidade da energia é um grande avanço, capaz de trazer diversos ganhos para o consumidor residencial.

Poste de energia elétrica

Na reportagem, o professor lembra que isso já acontece em diversos países do mundo, inclusive da América Latina. Para a maior parte dos consumidores, o grande atrativo deverá ser a questão econômica.

Assim como em todo o país, os cidadãos amapaenses são escravos de uma única empresa de energia e não tem o direito de escolher quem poderá fornecê-los luz.

Certos economistas dizem que o monopólio das empresas distribuidoras de energia, é um monopólio natural, pois seria desperdício passar “dois cabos de energia na mesma rua”, opinião que contestável, já que isso é perfeitamente possível, dadas as circunstâncias em que empresas contam com diversas soluções para isso.

Na realidade atual, o governo, de modo coercitivo e violento, impede que outras opções existam ao consumidor final. Ao depender de uma única empresa, devido o monopólio estabelecido, não teve como outra empresa dar continuidade ao fornecimento de energia no Estado.

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