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Pedro Lascuráin, o presidente que governou o México só por 45 minutos

Paredes assumiu o cargo às 17h15, e renunciou às 18h00.

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Foto: George Grantham Bain/Biblioteca do Congresso dos EUA/Wikimedia Commons

Pedro Lascuráin Paredes é o nome desse cara, que até o início do século 20, até que levou uma vida bem tranquila. Antes de contar a história dele, você, que provavelmente não o conhece, precisa saber um pouco sobre quem ele é. Pedro nasceu na região central da Cidade do México, em 1858 e veio de uma família bem rica e tradicionalmente religiosa como a maioria dos mexicanos.

Pedro tornou-se prefeito da cidade em 1910, depois de ter cursado direito. Foi então que sua vida virou de cabeça pra baixo. Pedro se viu envolvido em conspirações políticas, além de ajudar a dar um golpe de Estado, se tornando, no meio disso tudo, o presidente com o mandato mais rápido que existiu na história, com uma “carreira” de apenas 45 minutos.

Tudo começou quando Lascuráin ainda era prefeito da capital, a Cidade do México e apoiava um cara chamado Francisco I. Madero, candidato à presidência que lutava contra Porfirio Díaz, um ditador no poder desde 1876 e que tinha aumentado a desigualdade no México.

Só que em 1910, os problemas sociais e fraudes eleitorais eram tão visíveis que a vitória de Díaz não durou tanto. Madero, que tinha sido preso por ele, conseguiu organizar uma revolta popular que depôs Días, no que ficou conhecido na história como Revolução Mexicana.

Madero, então, assumiu a presidência. Pelo apoio, Lascuráin virou ministro das Relações Exteriores. Além da importância, o cargo fazia parte da linha sucessória do país. Ou seja, caso alguma coisa acontecesse com o presidente e o seu vice, Lascuráin tomaria o poder. E foi nesse ponto, que a coisa desandou.

Presidente-relâmpago

Victoriano Huerta era um general mexicano que, durante a revolução, conseguiu ajudar a controlar rebeliões contra Madero. Com o passar dos anos, e nada feliz com o resultado das manifestações, Huerta virou a chave e mudou de lado. O militar se juntou a Félix Díaz, sobrinho de Porfirio, e começou a articular um golpe de Estado.

Um detalhe importante nessa história, é que Huerta também tinha o apoio de ninguém mais, ninguém menos que Henry Lane Wilson, o embaixador dos EUA. Ele não gostava nada de Madero e queria mesmo que o México estivesse sob um novo regime. Nessa época, vale dizer, os Estados Unidos tinham como plano de política externa tornar a América Latina uma área sob forte influência do país. Foi um modelo de diplomacia, que iria se intensificar no governo de Theodore Roosevelt (1901-1909), e acabou conhecido como “Big Stick” (na tradução “grande porrete”).

Já que ele era o responsável pelas relações exteriores, Lacuráin sempre mantinha contato com o embaixador Wilson. Foi então que Huerta convenceu o político a dar uma ajuda a ele para derrubar Madero. Enquanto o golpe era construído nos bastidores, Huerta e Díaz encenaram uma revolta nas ruas do México, com o objetivo de causar uma impressão de que o povo não estava satisfeito com o atual presidente.

Acontece, que a situação se agravou com o tempo. Com o México à beira de uma guerra civil, Madero conversou com Lascuráin, que passou a representar Huerta, sobre os termos para a sua renúncia, que incluíam garantir sua segurança e a do vice-presidente José María Suárez. O problema, é que não deu tempo nem de esquentar a cadeira. Logo que tomou posse, Lascuráin nomeou Huerta como ministro do seu gabinete, o que o colocava como sucessor à presidência. Depois disso, ele fez um discurso elogioso aos militares e, por fim, renunciou. Inacreditável, mas isso tudo levou 45 minutos, sendo que fontes, ainda citam números que variam de 15 a 56 minutos.

O que aconteceu depois foram diversas revoltas populares, conflito armado entre rebeldes e governo e o golpe de Estado. O período de 9 a 19 de fevereiro daquele ano, os mexicanos hoje conhecem como “La Decena Trágica” (“Os Dez Dias Trágicos”). E a coisa não melhorou depois não, já que Huerta decidiu não honrar o acordo e ordenou que Madero e Suárez fossem mortos poucos dias depois. O general comandou o país até 1914, quando uma rebelião forçou seu exílio.

Já Lascuráin viveu numa boa. Depois que se aposentou como político, ficou na direção de uma faculdade de direito na Cidade do México e morreu em 1952, aos 96 anos.

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