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Gina Carano e o cancelamento que saiu pela culatra

“Não tentem destruir minha vida com mentiras, quando a sua pode ser destruída com verdades”, declarou a atriz.

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Gina Carano é o nome da atriz que interpretou Cara Dune, personagem da série The Mandalorian, que pra quem ainda não sabe, é uma série spin off do Star Wars que terminou recentemente sua segunda temporada no serviço de streaming Disney Plus. Embora a série esteja fazendo muito sucesso e Gina tenha sido muito elogiada no seu papel, acabou demitida pela Lucasfilm, a produtora da série, devido a tradicional cultura do cancelamento.

Por mais que o sucesso de The Mandalorian seja notável, Gina certamente se tornou mais conhecida após ganhar as manchetes de diversos portais de notícias do mundo pop da mídia. O motivo da demissão teria sido uma postagem onde ela supostamente teria comparado a situação dos conservadores americanos com os judeus.

O fato é que, como você verá nesta matéria, muita gente já vinha pedindo sua demissão unicamente pelo fato da atriz ter se declarado conservadora. A história, que tinha tudo para acabar como um cancelamento normal padrão em que a pessoa fica em ostracismo por um tempo, acabou tendo uma grande reviravolta.

Série The Mandalorian é spin off de Star Wars.

A reviravolta aconteceu quando Gina, já bastante notada após diversas reportagens sobre seu comportamento “fora da caixa”, fechou um contrato com a produtora conservadora Daily Wire para produzir um filme e, recentemente, deu uma entrevista para o fundador do portal, o jornalista Ben Shapiro explicando todo o processo do lado dela.

Gina Carano demitida pela LucasFilm concede entrevista a Ben Shapiro.

A entrevista acabou evidenciando mais ainda o nome de Gina, chegando, inclusive a colocar seu nome em evidência nas redes sociais e até no IMDB, um site especializado em cinema, onde chegou a figurar como atriz mais popular no momento.

Reprodução do dia em que Gina Carano tornou-se destaque no IMDB.

No final das contas, esse episódio até aqui já mostra que os canceladores, embora perigosos na disseminação de ódio, já não são tão relevantes assim quanto acham. Na pressa de cancelar pessoas cujo opiniões vão no sentido contrário, os canceladores acabam se isolando cada vez mais da sociedade em sua micro-bolha. Como bem disse Ben Shapiro: “Essa pode bem ser a história que acaba com o fascinio do cancelamento na sociedade americana”.

O problema do cancelamento

Embora a primeira vista, o cancelamento seja até mesmo algo que se observe sob um ponto de vista voluntário, ou seja, apenas adere quem quiser, ele deveria ser usado apenas em casos extremos. Uma vez que cada pessoa que você cancela, é uma pessoa que seu concorrente pode trazer para si e lucrar.

Canceladores nas redes sociais cobram e fazem pressão pedindo a demissão de Gina.

Estratégias baseadas em cancelamento, como o boicote à influenciadores ou sites de mídia alternativa, não funcionam no longo prazo. Podem destruir a vida de uma pessoa, é fato. Porém são incapazes de mudar o pensamento da sociedade ou do conjunto de pessoas que segue aquele pensamento.

Apesar de cancelado por comentários racistas de seu colega de stream, Christoph Schlafner ganhou status de 1° parceiro global na plataforma Dlive onde angariou 20 mil seguidores.

O cancelamento de alguém não faz com que as pessoas mudem de ideia por isso. Pelo contrário, as ideias continuam circulando. Se cancelarem muitos para fazer diferença, a coisa fica anti-econômica, acabam tendo prejuízo e abrindo mercado para concorrentes. É o que a Disney e a Lucasfilm estão percebendo nessa história.

O que causou o cancelamento de Gina Carano?

Para quem não sabe, Gina Carano começou como lutadora de Taekwondo, chegando a obter vários títulos e uma ótima carreira no MMA em 2007, com 7 vitórias e 1 derrota. Ela foi a cara do MMA feminino na época, e abriu caminho para outras lutadoras que vieram depois.

Gina Carano, a atleta lutadora de MMA que virou atriz.

Em 2009, Gina acabou abandonando as lutas para seguir carreira de atriz. Fez vários filmes, em personagens secundários como em Deadpool, mas, de fato, Mandalorian foi o seu primeiro grande projeto em que ela, senão protagonista, a principal personagem que mostrava o rosto.

De fato, chega a ser curioso como muitos que aderem ao cancelamento, costumam falar em empoderamento feminino, em mulheres fortes, que tem direito a sua opinião. Todavia, quando a opinião da mulher não é a exata mesma propalada por sua ideologia, aparecem de imediato, diversos homens pedindo sua cabeça.

Henry Cavill e Gina Carano.

A entrevista tocou em vários pontos importantes e, além de explicar como foi o processo, mostra como Gina em momento algum quis ofender quem quer que fosse, elogiando até mesmo a equipe da Lucasfilm, apesar de todo imbróglio.

Gina afirma na entrevista que, na verdade, jamais se interessou por política antes de 2020. Não se considerava nem de direita liberal, nem conservadora. Mas chegou um ponto em que sentiu que precisava se posicionar, principalmente ao ver pessoas próximas dela serem canceladas por não aderirem a um discurso mais progressista. Gina naturalmente com isso, acabou se alinhando com os conservadores.

Segundo ela, a confusão com a Lucasfilm começou com a questão dos pronomes, em fevereiro de 2020. A atriz foi pressionada a usar pronomes na sua bio do twitter.

Pra quem não está por dentro do tema, é costume entre o fã clube de progressistas, colocar na bio seja do Instagram, seja do Facebook ou do Twitter, colocar na bio como deseja ser chamado, de ele/dele, ou ela/dela. Tim Cook, CEO da Apple, chegou a virar notícia por ter aderido à moda.

Gina diz que viu muitas pessoas sendo canceladas por questão de pronomes, algo que ela achava uma besteira. Então colocou que os pronomes dela eram Beep/Bob/Boop.

Gina Carano e a “polêmica” do Boop/Bop/Beep.

Uma brincadeira para dizer que ela não se importava como chamavam ela. A ideia jamais foi insultar pessoas trangênero, ela ressalta, apenas brincar com o exagero do pessoal que exige esse tipo de coisa. Lógico, porém, houve então um explosão de tweets pedindo a demissão dela. Isso virou um escândalo.

O estudio pediu que ela visse um documentário e participasse de uma reunião com duas pessoas LGBT que fariam um treinamento nessas questões. Gina achou estranho, mas as pessoas foram muito legais com ela, disseram que entendiam que ela não quis ofender ninguém e a coisa acabou ali.

Depois desse episódio, porém, queriam que ela fizesse uma conferência com 40 empregados da Lucasfilm que haviam levantado questões quanto a isso, e que ela pedisse desculpas por isso apenas internamente. Mas ela se negou porque, por óbvio, isso acabaria gravado e ela acabaria exposta. Gina não errou. Todos sabem que não adianta pedir desculpas para quem prega o cancelamento. Qualquer falha é pena de cancelamento total, sem qualquer possibilidade de redenção.

Canceladores tentaram colocar Gina com uma representante de mídia. Sim, alguém que iria treiná-la em mídias sociais, como se ela não soubesse fazer isso. Nada mais machista.

Embora ela não tenha tido nenhuma punição, a Lucasfilm já excluiu Gina de qualquer evento de divulgação do Mandalorian a partir desse momento. Contudo, nessa época começou o patrulhamento ideológico sobre a atriz. Nessa época, já começaram a pedir a cabeça de Gina, que fez outros posts considerados polêmicos por canceladores. Gina já tinha ideia que a Lucasfilm cedo ou tarde a demitiria.

A atriz soube, por um amigo (que não quis revelar o nome para não constranger), que já circulava uma montagem de uma cena dela substituída por outra atriz digitalmente.

O post que levou a demissão de Gina, para a maior parte das pessoas, inclusive para Ben Shapiro, que é judeu, não tem nada demais. Como disse, ela não compara conservadores a judeus perseguidos.

O post de Gina diz: “Judeus eram espancados nas ruas, não pelos soldados nazistas, mas por seus vizinhos, até crianças. Como a história é editada, muita gente hoje não percebe que, para chegar no ponto em que soldados nazistas poderiam facilmente prender milhares de judeus, o governo primeiro fez seus próprios vizinhos os odiarem apenas por serem judeus. Como isso é diferente de odiar alguém por suas posições políticas?”

Postagem que antecedeu demissão de Gina Carano na Lucasfilm.

Ou seja, o que ela disse é que esse clima de ódio, de brigar com pessoas por mera ideologia política, qualquer ideologia, pode levar a uma situação terrível como a da alemanha nazista. Gina Carano não comparou uma coisa com a outra. Ela destacou a causa comum, e sequer mencionou conservadores ou liberais no post. Mas, lógico, canceladores estão apavorados porque não conseguem convencer ninguém com argumentos mais, só conseguem reter algumas pessoas em sua bolha se essas pessoas considerarem todo mundo de fora o diabo em pessoa. A onda de pedidos de demissão dela voltou ainda com mais força.

Ela ficou sabendo que estava demitida pelas redes sociais, antes de qualquer pessoa falar com ela. Ela não acusou nenhuma pessoa diretamente na empresa. O tempo todo elogiou todos lá, mesmo o Jon Favreau, o responsável pela série The Mandalorian, que foi quem a demitiu. Ela disse que entende a decisão, a pressão enorme sobre ele, embora a considere a decisão injusta.

Mas aí veio a grande reviravolta. Normalmente, as pessoas canceladas são orientadas a ficarem quietas por um tempo, que, se a coisa acalmar, em alguns anos elas poderão voltar a atuar em hollywood. Mas ela sabia que isso não acontece. Esse tipo de marcação ideológica é perpétuo. Quem foi cancelado antes, jamais será descancelado.

Gina Carano em The Mandalorian, série do Disney Plus.

Ao invés de ceder a turba e ficar quieta, ela aceitou o convite do Daily Wire para uma produção e isso mudou tudo. Porque mostrou para a turba do cancelamento que eles tem limite. Cada vez que eles cancelam alguém, abrem espaço para a concorrência.

Há agora rumores grandes de pessoas pedindo demissão e troca de cargos. Nos bastidores, há a informação de que muitos acionistas estão furiosos porque, embora as vendas do canal Disney plus estejam em alta, certamente sofreram um baque grande.

O futuro do spin off sem Gina Carano

O episódio VII, o despertar da força, até foi bem, mas o episódio IX, a ascenção de skywalker, teve audiência muito baixa reforçado pelas críticas ao episódio VIII, o último jedi. Pior, a ideia de fazer vários spinoffs foi altamente contaminada pela má impressão dos fãs de Star Wars, e, novamente, embora Rough One tenha tido sucesso, Solo foi um fracasso de público e crítica. Mas eles haviam reencontrado o caminho com The Mandalorian. A série é interessante, tem história, bons personagens, e uma surpresa muito boa que agradou muitos fãs no final da segunda temporada. Pareciam estar se reencontrando e, agora, novamente, podem ter jogado fora uma oportunidade talvez única.

Katleen Kennedy, a presidente da Lucasfilm designada pela Disney, disse em determinado momento que a “força é feminina”. Se isso é verdade, bem, ninguém melhor para personificar essa força que Gina Carano. As engrenagens de hollywood tentaram moer Gina, mas ela acabou saindo-se bem, muito mais conhecida e popular do que antes, e com um novo projeto que promete ser um ótimo filme abrindo toda uma nova gama de alternativa para atores, roteiristas, diretores.

Ela concluiu a entrevista dizendo uma frase antológica, para os canceladores de Hollywood: “não tentem destruir minha vida com mentiras, quando a sua pode ser destruída com verdades”.

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