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Jovem compra camisa feminista e encomenda vem violada com mensagem: “E a louça? Lavou?”

Para Marina Taroco, de 28 anos, o que pode ser visto como uma brincadeira para alguns foi uma ofensa.

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A reportagem sobre uma feminista supervisora de qualidade de uma indústria de alimentos está viralizando nas redes sociais. O imbróglio que viveu Marina Taroco, de 28 anos, ganhou repercussão após o site Universa, do UOL, contar sua história.

Marina, que só queria ter em seu guarda-roupa alguns looks diferentes que servissem de inspiração para acordar e “destruir o patriarcado”, como sugere uma das estampas da camiseta que comprou, acabou se deparando com uma mensagem num tom bem machista ao abrir a caixa com a camiseta: “E a louça? Lavou?”

Encomenda veio com mensagem: “E a louça? Lavou?”.

Revoltada com a encomenda violada, que chegou ontem, Marina pediu à transportadora explicações sobre o caso. “Estamos em 2021 e ainda temos que passar por isso. É um caso que mostra como nossa luta ainda será longa”, explicou.

Moradora de São João Del Rei, em Minas Gerais, a jovem contou que encomendou pela segunda vez duas camisetas da marca de roupas, que fica em Araraquara, no interior de São Paulo. A embalagem imprime o nome da marca, mas abaixo, há dizeres escritos à caneta: “E a louça? Lavou?”.

Marina Taroco usou a camiseta “Lindo dia para destruir o patriarcado”; embalagem de encomenda foi entregue com mensagem machista.

O motivo do tom do questionamento em tom de brincadeira ser visto como machista é pelo fato de reduzir a mulher a ocupações específicas, principalmente às ligadas ao trabalho doméstico, reforçando o estereótipo que recai sobre mulheres que se engajam na luta feminista. Para Marina, o que pode ser visto como uma brincadeira para alguns foi uma ofensa.

Foi claramente uma forma de me ofender, me colocando em um estereótipo da feminista.

“Foi claramente uma forma de me ofender, me colocando em um estereótipo da feminista”, aponta Marina, que se identifica com as teorias feministas e afirma que tem estudado mais sobre o assunto, já que “tem muita gente que tem preconceito com o termo feminismo”. “Liguei para a Jadlog assim que recebi o pacote, uma mulher me pediu desculpa e que ia repassar para o pessoal dela. Só que resolvi postar no meu Instagram, porque não queria ficar calada.”

Marina Toroco com camiseta com frase da feminista Simone de Beauvoir, da marca de Araraquara.

As estampas das camisetas destacam palavras e frases do que o movimento feminista acredita ser a luta pela igualdade de gênero e de combate ao machismo e o patriarcado. As peças escolhidas por Marina, que é adepta do uso da linguagem de gênero neutro, foram de “Lindo dia para destruir o patriarcado” e “Que nada nos defina, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância, já que viver é ser livre”, da escritora e filósofa feminista francesa Simone de Beauvoir.

O posicionamento da Jadlog

Abaixo, segue a nota enviada pela assessoria de imprensa da Jadlog para Curiozone informando que não compactua com as atitudes machistas que repercutiram:

A Jadlog repudia o comentário machista e a atitude discriminatória às mulheres expressa na encomenda encaminhada a uma cliente da empresa em Minas Gerais. A empresa está buscando apurar a origem da alteração da embalagem, que levou à inserção do comentário machista, para verificar se ela ocorreu ou não dentro do seu ecossistema, considerando que são inúmeras as etapas percorridas por uma encomenda até chegar ao destinatário final.

A Jadlog tem por princípio atuar sempre em defesa da igualdade de gêneros e da valorização das mulheres, e, como empresa que estimula a sororidade, aderiu aos princípios de empoderamento feminino da ONU Mulheres Brasil e, com base nestes, criou inclusive princípios internos para serem seguidos por seus colaboradores. A empresa defende um caminho livre de machismo, racismo ou qualquer outro tipo de preconceito.

As perspectivas de Marina sobre o futuro

A jovem reforça que a mensagem deixada possivelmente por um funcionário da Jadlog não é uma “mera brincadeira”. Ela diz que trabalha com muitos homens e vê o quanto o machismo, o racismo e a homofobia são estruturais. A jovem acredita ainda que brincadeiras assim devem acabar, e que não pensa que a empresa tem culpa pelo que o funcionário faz, mas acredita que nos tempos atuais isso não cabe mais.

“Por isso que chegamos em 2021 com uma sociedade machista, homofóbica e racista como a que temos.”, finalizou.

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