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Veterano brasileiro da Segunda Guerra, Antônio Fermiano morre aos 98 anos

O herói que lutou contra os nazifascistas na Segunda Guerra pela Força Expedicionária Brasileira deixa a esposa, oito filhos, oito netos e três bisnetos.

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Um triste dia para o Brasil. Na última terça-feira (6), aos 98 anos, morreu Antônio Ferminiano, veterano do Regimento Sampaio da Força Expedicionária Brasileira (FEB). De acordo com a nota publicada pela Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária (ANVFEB), a morte de Antônio, em Campo Grande, MS, ocorreu “por causas naturais não associadas ao Covid-19”.

Em 2020, o ex-combatente foi homenageado por militares da FEB em sua residência, na data em que completou seus 98 anos de vida, em 26 de agosto.

Antônio Fermiano, descendente de escravos, o herói que lutou na Segunda Guerra pela Força Expedicionária Brasileira.

Segundo informações do jornal Correio do Estado, ele era um dos cinco últimos veteranos ainda vivos de Mato Grosso do Sul, restando agora quatro, dos quase mil pracinhas do Estado que combateram na 2ª Guerra.

A história do herói descendente de escravos

Antônio Fermiano era paulista de Botucatu, SP e ingressou nas fileiras do Exército, no 18º Batalhão de Caçadores (18º BC), em Campo Grande. Com o início da 2ª Guerra Mundial, ele passou a integrar a Força Expedicionária Brasileira (FEB) como soldado do Depósito de Pessoal e, posteriormente, do 1º Regimento de Infantaria (1º RI) – Regimento Sampaio.

Em um ato de patriotismo, ainda jovem aos 21 anos, Fermiano embarcava em 23 de novembro de 1944 em um navio com destino à guerra na Itália.

Ele e outros 25.334 soldados brasileiros, que realizaram o percurso durante o conflito, atravessaram o Oceano Atlântico em uma viagem de 15 dias, tendo que lidar com submarinos alemães à espreita para tentar impedir que alcançassem o destino.

O veterano Antônio Fermiano passou os últimos anos de vida em Campo Grande, onde morava com a família.

Foi na Itália que Fermiano, descendente de escravos, teve a oportunidade de lutar e vencer os Nazistas do Eixo, liderados pelo ditador fascista italiano Mussolini. Quando o pracinha brasileiro já estava perto de voltar para seu país natal, foi combater na tomada de Montese, município que era o principal objetivo do seu batalhão.

Logo na chegada, um ataque de guerra: o regimento foi atingido por intenso fogo de artilharia. Depois de 3 dias de combate, Montese estava praticamente arrasada, das 1.121 casas da região, 833 haviam sido destruídas.

Antônio Fermiano ainda jovem.

Embora a Divisão Brasileira tivesse ganho a batalha, infelizmente perdeu cerca de 430 homens, entre mortos, feridos, soldados aprisionados pelos inimigos e outros desaparecidos.

Fermiano ficou entre os feridos. Foi atingido em 15 de abril de 1945. Mas como forte que era, se recuperou, motivo que lhe garantiu a condecoração da Medalha Sangue do Brasil.

Antônio Fermiano 23 de novembro de 1944, aos 21 anos num navio com destino à guerra na Itália.

A vitória de Montese, somadas às vitórias obtidas pelos Aliados em outras localidades, contribuiu decisivamente para a desarticulação das linhas de defesa alemãs.

A vida depois do triunfo

O herói regressou para o Brasil em 22 de agosto de 1945, tendo sido licenciado das fileiras do Exército em 18 de setembro do mesmo ano. Logo depois da guerra, em 10 outubro de 1946, ele seguiu a carreira militar ingressando na Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP).

Passou para a Reserva na década de 1970, como 1º Tenente do Quadro Especial de Oficiais da Polícia Militar (QEOPM) e atualmente é o bombeiro mais idoso ainda vivo daquela corporação.

Possuindo até certificado de honra pelos ferimentos, o CMO homenageou Fermiano pelo seu aniversário, participação na guerra, coragem e dedicação ao país.

Pela sua atuação no Teatro de Operações da Itália, juntamente com a FEB, também foi agraciado com a Medalha de Campanha. Ele era considerado “ex-combatente” da Segunda Guerra Mundial, conforme prevêem o artigo 1º da Lei 5.315, de 12 de setembro de 1967, e o artigo 53 ADCT da Constituição Federal de 1988.

Uma merecida homenagem que causou emoção

Ao ser homenageado no ano passado em seu aniversário, o veterano se emocionou. “Fiquei imensamente grato. Eu nunca tinha recebido uma demonstração de amor e carinho como essa, desde quando vim da guerra”, disse, na ocasião.

“A irreparável perda de hoje é mais uma dura e inesperada ‘baixa’ na nossa História e na ANVFEB / MS. Segundo ele mesmo dizia: ‘tenho muito orgulho de ter servido ao Brasil, durante a guerra. Os maiores legados do nosso sacrifício foram a Liberdade e a Igualdade!’”, diz a nota da associação.

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