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Reportagem da Record sobre ‘Death Note’ revelou em muitos críticos uma contradição

Exibida no ‘Domingo Espetacular’, reportagem apontou que a exposição a ‘Death Note’ pode ser capaz de gerar violência.

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Foto: Reprodução/Google

Uma reportagem exibida pela Record TV, por meio de sua revista eletrônica ‘Domingo Espetacular’ consultou especialistas para falar a respeito do que a emissora considerou como os ‘perigos da exposição de crianças e adolescentes a conteúdos violentos’.

A conclusão final da reportagem exime a culpa de quem pratica atos tenebrosos como suicídio e até mesmo assassinato, e direciona a culpa única e exclusivamente ao anime.

A reportagem sensacionalista exibida pela emissora de Edir Macedo causou polêmica ao afirmar que a animação traz danos a saúde mental dos jovens, já que, como crianças e adolescentes tem acesso sem nenhuma restrição para comprar objetos e brinquedos relacionados ao desenho, eles podem ter ser próprio “caderno da morte”.

Nos comentários do vídeo que está negativado em maioria no YouTube, um recado fica claro por meio de ironias: algo abstrato, não é capaz de matar.

Comentário de usuário no YouTube ironiza a conclusão da reportagem exibida na Record TV.

A emissora falou a respeito do fato da série ter sua exibição proibida em países como China e Rússia, no que para algumas pessoas pareceu uma sugestão clara do que fazer: suprimir o conteúdo.

Mesmo que ‘Death Note’ tenha sua devida classificação indicativa proibindo o conteúdo para menores de idade, para a emissora isso não importa, uma vez que o especialista consultado na reportagem, disse que a série não deveria ser recomendada sequer para adultos, reforçando mais uma vez que seria algo abstrato como a série, e não alguém, responsável por uma violência.

De acordo com o psicoterapeuta Leo Fraiman, consultado pela reportagem do ‘Domingo Espetacular’, a série é “um lixo tóxico, é a incivilidade, a desumanização consagrada como algo legal”.

O psicoterapeuta Leo Fraiman.

Pelas redes sociais, inúmeros foram os comentários de internautas condenando a reportagem, declarando de modo firme e convicto que algo abstrato como uma série, jamais seria capaz de provocar violência.

Não é a primeira vez que a emissora paulista condena a cultura geek. Em outras ocasiões, o jornalismo da Record TV, embora consolidado, conquistou a fama de ignorante, ao travar uma verdadeira guerra aos videogames, alimentando mais uma vez a narrativa que exime os culpados por um ato violento, e direcionando a culpa para algo abstrato como um jogo.

A conclusão de tais reportagens feitas pela Record é um notório absurdo, que fez com que diversos veículos de mídia geek, além de influenciadores e youtubers expusessem, todas as vezes, seu erro.

Na semana seguinte à matéria exibida pela Record TV, a internet pareceu se voltar ao debate com tema liberdade de expressão, e o grande questionamento nas discussões foi se algo abstrato como uma fala, assim como a série ‘Death Note’, é capaz de gerar violência, causando mortes. Porém, os internautas que, antes criticavam a Record TV por afirmar que uma série deveria ser suprimida por causar a violência, agora estavam pregando que falas podem matar.

Felipe Andreoli foi de pedra a vidraça, quando acabou tendo suas postagens de cunho homofóbico expostas depois de condenar o atleta Maurício Sousa.

Jornalista e humorista Felipe Andreoli, apresentador do Globo Esporte.

Diferente do atleta, Felipe não somente fez piadas de cunho homofóbico, como também racistas. Contudo, depois de ter seus tweets antigos expostos, o apresentador do Globo Esporte pediu desculpas e disse ter evoluído como pessoa, e que considera um “grande aprendizado”.

“Sim, o print é eterno. Coisas que foram ao ar, coisa que escrevi e falei estão documentadas. Absurdos. O que era considerado piada, hoje sabemos que mata. E por isso é crime. O mundo mudou, longe de ser suficiente. Mas tenho orgulho de ter aprendido, estudado a ponto de poder lutar e combater no lado certo”, escreveu no Twitter.

O episódio do resgate de antigas postagens feitas por Felipe Andreoli não foi aceito por algumas pessoas, como é o caso de Eli Vieira, biólogo e escritor no jornal Gazeta do Povo. Para ele, não é justificável usar do mesmo expediente que os canceladores utilizam, e condenou o ‘contra-cancelamento’ dizendo que já passou dos limites.

Em outra publicação, ainda no Twitter, Eli complementou o porquê de achar tudo isso sem o menor sentido, e expressou sua indignação a respeito da disseminação da narrativa de que ‘piadas matam’. O biólogo afirma haver falta de evidência na afirmação de Felipe feita em sua retração após o exposed.

“É aqui que vemos a face anticiência do progressismo identitário que já é dominante entre os jornalistas. Qual é a grande diferença entre dizer que video-game causa violência e que piadinha de gay mata? Onde estão as evidências?”, questionou Eli.

Em sua postagem, o biólogo classifica como impressionante “à parte a postura anticientífica e de cabeça fechada a respeito de relações causais”, o vandalismo semântico na afirmação que condena piadas feitas com homossexuais: “Ele está dizendo que era considerado piada, e agora não é mais. Por que não é piada mais? O Dicionário da Novilíngua foi atualizado?”, questionou.

Finalizando a thread de sua postagem, Eli explicitou o fato de ser homossexual, e mesmo assim não querer que piadas com gays ‘sejam banidas da face da Terra’, e concluiu dizendo que uma piada não é como um feitiço ‘avada kedavra’ da série Harry Potter, onde ao declarar a frase, alguém é instantaneamente morto.

Há quem afirme que a perseguição e censura no sentido de banir este tipo de conteúdo no meio social, pode acabar levando a um precedente perigoso. Felipe Andreoli, apesar de ter pedido desculpas por suas postagens antigas, além de ser processado, agora pode estar a caminho de ser denunciado ao Ministério Público.

O questionamento feito a partir desse episódio, é se uma fala que é algo abstrato (mesmo a proferida por Andreoli), tem mesmo, assim como um mero caderno da série Death Note, o poder de gerar violência, ou mesmo matar alguém.

Se a narrativa da reportagem feita pela RecordTV deve ser condenada, para que não se forme uma contradição no discurso, a mesma conclusão deve ser aplicada a uma fala, que não é como um feitiço ‘avada kedavra’, muito menos um caderno com poder matar alguém.

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