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Elon Musk faz oferta para comprar 100% do Twitter por US$ 41 bilhões e dá ultimato

Musk oferece US$ 54,20 por ação e diz que vai reconsiderar ser acionista na companhia caso a proposta seja negada.

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Foto: Reprodução/Google

Após ter se tornado acionista majoritário e ter enfrentado resistências, Elon Musk anunciou, nesta quinta (14), uma oferta para comprar 100% do Twitter. O bilionário CEO da Testa e da SpaceX ofereceu, de acordo com informações do portal G1, o valor de R$ 41,5 bilhões, equivalente a R$ 197 bilhões na cotação atual.

Conforme o documento publicado na US Securities and Exchange Commission (SEC), Musk ofereceu US$ 54,20 por ação do Twitter, e deu ainda um ultimato afirmando que irá reconsiderar ser acionista da empresa caso sua proposta seja negada.

“O Twitter tem um potencial extraordinário. Vou desbloqueá-lo”, finalizou Musk em carta ao presidente do Twitter, Bret Taylor, segundo o documento.

Antes, em outro momento, Musk afirma a Taylor ter investido no Twitter por acreditar “em seu potencial para ser a plataforma para a liberdade de expressão em todo o mundo, e acredita que a liberdade de expressão é um imperativo social para uma democracia em funcionamento”.

Musk afirmou ter percebido que seu investimento seria em vão e que a empresa precisa fechar seu capital; O bilionário enfrentou resistências (confira mais adiante).

Segundo informações do portal R7, depois de ter feito o anúncio da oferta, as ações do Twitter subiram 12% no pré-mercado norte-americano.

Conforme anunciado pela Curiozone na semana passada, Musk comprou 9,2% das ações do Twitter, se tornando o maior acionista da companhia, na frente até mesmo do fundador da rede social, Jack Dorsey.

A participação de Musk vale cerca de US$ 2,9 bilhões, levando em conta o fechamento da ação de US$ 39,31 na sexta-feira (1).

Twitter, a rede social e servidor para microblogging, que permite aos usuários enviar e receber atualizações pessoais de outros contatos.

Desde que foi anunciado que Elon Musk comprou uma participação de 9,2% no Twitter, ele enfrentou resistências da mídia. O Washington Post, de propriedade do bilionário Jeff Bezos basicamente surtou, publicando um artigo afirmando que ter Elon Musk, o homem mais rico do mundo como proprietário parcial de uma plataforma de mídia social tão influente quanto o Twitter poderia significar problemas para a liberdade de expressão. Musk respondeu ao artigo absurdo dizendo que é “um ótimo jeito de fazê-lo rir”.

Jeff Bezos era o homem mais rico do mundo, também bilionário da tecnologia como Musk, quando comprou o Washington Post em 2013. Quando Bezos comprou, tornou-se o único proprietário do veículo de notícias.

O Washington Post era o “jornal líder” de Washington, informou o WaPo na época, “e uma força poderosa na formação política da nação”.

Jeff Bezos, da Amazon, é a primeira pessoa a alcançar fortuna de US$ 200 bi.

Então está tudo bem quando o homem mais rico do mundo compra um jornal inteiro mas quando o homem mais rico do mundo compra ações em uma plataforma de mídia social, a liberdade de expressão está em perigo.

O Twitter continua como uma empresa pública após a compra de ações de Musk, mas quando Bezos comprou a WaPo ele tornou a empresa privada. Isso significava que o Washington Post “não precisava relatar os ganhos trimestrais aos acionistas ou ser submetido às demandas dos investidores por lucros sempre crescentes”.

O Washington Post informou na época que isso significava que Bezos “poderia experimentar a posição sem a pressão de mostrar um retorno imediato de qualquer investimento”.

A compra da WaPo por Bezos foi considerada uma coisa boa, para o jornal, para a indústria, para os funcionários e para o próprio Bezos. Nada muito Musk.

“Elon Musk acabou de comprar uma participação de US$ 3 bilhões no Twitter Inc., porque quando você é o ser humano mais rico do mundo, pode jogar bilhões como fichas de pôquer”, escreveu Timothy L. O’Brien na Bloomberg, de propriedade do bilionário Mike Bloomberg.

Mike Bloomberg, dono da Bloomberg.

Musk é um grande acionista, mas longe de ser o dono da própria empresa.

Ele criticou a atitude aparentemente desinteressada de Musk, observando que quando Musk apareceu no podcast de Joe Rogan, ele “ponderou o sentido da vida enquanto bebia uísque e fumava maconha”, como se houvesse algum momento melhor para refletir sobre as questões existenciais da vida. Musk também se posicionou a favor da humanidade, de ter filhos e da própria vida.

O’Brien criticou a postura de Musk como um “absolutista da liberdade de expressão”. Isso em um jornal cujo lema é “a democracia morre na escuridão”. Ele ainda afirma que “não está claro por que o Twitter é seu alvo”. Não está claro como O’Brien poderia ser claro sobre isso, já que Musk é um absolutista da liberdade de expressão e o Twitter é uma plataforma essencial em que o CEO afirmou não ter obrigação alguma com a liberdade de expressão.

Elon Musk doa mais de US$ 5,7 bilhões em ações da Tesla para caridade.

São os negócios de Musk e os seus tweets, que O’Brien está discutindo. WaPo não gosta que Musk tenha comparado o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau a outros tiranos históricos, apoiado o conceito de sexo biológico sobre a identidade de gênero, ou que seus tweets tenham o poder de movimentar os mercados de ações. Depois que a participação de Musk no Twitter foi anunciada, o preço das ações do Twitter saltou 23%.

A alegação vai além ao dizer que Musk é um “absolutista da liberdade de expressão que não é absolutamente a favor da liberdade de expressão” e que ele provavelmente não está no negócio do Twitter por dinheiro, mas para conseguir observar. É seu dinheiro e sua motivação que estão em questão para o Washington Post aqui.

Bezos recebeu o benefício da dúvida quando comprou o Post. Em uma entrevista na época, ele chamou o Post de “uma instituição importante” e expressou otimismo sobre seu futuro.”Não quero insinuar que tenho um plano elaborado”, disse ele. “Isso será um terreno desconhecido e vai exigir experimentação.”

Jeff Bezos e sua ex-esposa Mackenzie Scott.

“Haveria mudanças com ou sem novos proprietários”, disse Bezos na época. “Mas a principal coisa que espero que as pessoas tirem disso é que os valores do The Post não precisam mudar. O dever do jornal é com os leitores, não com os donos.”

Musk tem sido um crítico vocal do Twitter há algum tempo. Ele viu os usuários serem suspensos e censurados na plataforma. Ele viu a administração do Twitter mudar de Jack Dorsey, o fundador da startup que tentou descobrir como equilibrar a liberdade de expressão com as preocupações com material hackeado, para Parag Agrawal, que não vê necessidade de defender os valores da liberdade de expressão.

Musk pode ser mais franco do que Bezos na época de sua compra de mídia, mas nem sua riqueza nem sua curiosidade e propensão à exploração serão negativos para a empresa. De fato, muitos defensores da liberdade de expressão estão ansiosos por mudanças que possam ser feitas para tornar a plataforma mais aberta, menos censurável e mais de acordo com os ideais americanos com os quais foi fundada.

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