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Morosidade para teste de Covid-19 no BBB 22 mostra que Globo não quis ver economia depois

Emissora não cancelou reality mesmo após participantes apresentarem sintomas da doença.

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Com a vitória de Arthur Aguiar, chegou ao fim a 22ª edição do reality show Big Brother Brasil exibido pela Globo. Segundo informações da emissora, mais de 751 milhões de pessoas votaram na final do programa que premiou com R$ 1,5 milhão, o ator famoso por interpretar Diego em Rebelde, da Record.

Arthur Aguiar, o vencedor do BBB 22.

Contudo, algo não pode ser esquecido sobre essa edição. A jornalista Aline Ramos, do UOL, se mostrou indignada perante a falta de transparência com relação aos protocolos contra a Covid-19. Em um texto publicado em sua coluna, Aline observou que as tosses contínuas do participante Viny chamaram atenção do público levantando suspeitas de que ele estivesse infectado com o novo coronavírus que surgiu na China.

Em nota enviada a coluna, a assessoria de imprensa da Globo esclareceu:

“Os participantes seguem bem! Estão sendo acompanhados constantemente por uma equipe médica que fica à disposição 24 horas por dia. E, lembrando, desde o início, agimos com muita transparência quando existe qualquer questão relacionada ao coronavírus”, afirmou.

Aline notou ainda, que embora fosse somente especulação, a preocupação de quem estava mais atento ao reality fez sentido pelo fato de ser um sintoma comum a quem contrai o vírus, e pelo fato do participante Luciano, ter testado positivo para a Covid-19 dois dias após sair da casa; o participante foi o primeiro eliminado da edição 22 do reality.

A jornalista do UOL finalizou sua coluna dizendo que a dúvida sobre a possível contaminação dos participantes era “prejudicial a todos”.

Mascote do reality Big Brother Brasil.

Em meio a polêmica, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) anunciou nas redes sociais que enviou um ofício à Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro para que os participantes fossem testados para a Covid-19. A parlamentar se manifestou juntamente com outros pedindo por mais transparência.

Segundo informações da colunista Carla Bittencourt, do portal Metrópoles, a demora em providenciar os testes ocorreu porque a Globo não saberia o que fazer caso algum participante de fato testasse positivo. A possibilidade de cancelar o programa (e como consequência acabar jogando fora cotas milionárias de patrocínio) não foi divulgada em nenhum momento.

Pressionada, a emissora realizou testes em cada participante, e no dia seguinte, divulgou na imprensa os resultados informando que nenhum dos 18 confinados estavam infectados.

Tadeu Schmidt, apresentador da 22ª edição do Big Brother Brasil.

Porém, ainda que a polêmica sobre a morosidade para testar os participantes da edição 22 seja descartada, já na edição 20, a Globo preferiu priorizar seus lucros. Defensora do bordão “a economia a gente vê depois”, a emissora, com a edição brasileira do programa, fez diferente da versão canadense do reality, e seguiu adiante com a produção. Mesmo em 2020 no início da pandemia, não abriu mão de perder certamente muito patrocínio com o programa.

Vale lembrar que pelo menos 30 marcas se envolveram na edição 22 do Big Brother Brasil. De acordo com informações do site Notícias da TV, o BBB 22 terminou com um faturamento bilionário na Globo. Mesmo criticado por conta de seu conteúdo e pela faltaa de participantes mais atrativos, o reality show encerrou sua trajetória com quase 40% mais anunciantes em relação à edição anterior. O programa bateu a meta projetada pelo departamento comercial da emissora de R$ 1 bilhão em arrecadação. Algo que provavelmente seria impossível, se fosse “deixar pra ver depois”.

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