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Ciência

Embora tenha 720 sexos, criatura misteriosa encontrada na natureza não tem cérebro

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Ela não tem boca, nem estômago ou olhos, tampouco é capaz de detectar ou de digerir alimentos. Embora também não tenha pernas ou braços, é capaz de se locomover e, em um só dia, até mesmo dobrar de tamanho. Se for cortado ao meio, pode se regenerar em dois minutos, e apesar de ser farto na surpreendente quantidade de 720 sexos diferentes, não tem um cérebro sequer, embora seja capaz de aprender.

Estamos falando da criatura misteriosa encontrada por cientistas franceses, que dizem não se tratar de uma planta, nem mesmo um animal ou fungo.

A criatura se chama Physarum polycephalum, significa “bolor de várias cabeças”. E de acordo com informações da BBC, essa criatura curiosa mais conhecida no meio cientifico como “Blob” foi exibida em 2019 no zoológico de Paris, na França.

Physarum polycephalum é considerado um dos grandes mistérios da natureza.

O que intriga os cientistas é que ele tem a estrutura de um fungo, mas se comporta como um animal.

“Não sabemos se ele é um animal, um fungo, ou algo entre os dois”, disse o presidente do zoológico de Paris, em nota.

Hoje a criatura é considerada um “bolor limoso” e faz parte do reino protista, “que é onde colocamos tudo que não entendemos completamente”, segundo o pesquisador Chris Reid, que se dedica a estudar esses organismos na Universidade de Sydney.

A espécie já existe há mais de um bilhão de anos, mas foi só em 1970 que uma senhora do Texas encontrou algo em seu quintal que mais se parecia com um catarro. Era o blob. Eles normalmente possuem uma coloração amarela ou esverdeada.

Physarum polycephalum não possui espécimes femininos e masculinos, mas uma variedade de 720 sexos.

Para se reproduzir, ele conta com nada menos do que 720 gametas diferentes — um pouco mais complicado do que os nossos simples espermatozoides e óvulos. Encontrar um parceiro também não é tão fácil. Eles só podem misturar seu material genético se o outro indivíduo tiver um conjunto de genes compatíveis divididos em grupos chamados matA, matB e matC – ou seja matA (de mating type) só se reproduz com matA, matB com matB, etc.

Na natureza, ele normalmente vai atrás de bactérias, esporos de fungos e micróbios para se alimentar. Já em cativeiro, sua comida favorita é mingau. Sim — os cientistas do zoológico o alimentaram com aveia para fazer os blobs crescerem ao máximo possível antes de entrarem em exibição.

No entanto, o aspecto mais interessante dos blobs é sua capacidade de aprendizagem. Mesmo sem cérebro, estudos já mostraram que eles conseguem encontrar o caminho mais curto dentro de um labirinto, se “lembrar” dos locais pelos quais ele já passou, e ainda transmitir essas informações para outros blobs quando eles se fundem.

Todas essas são estratégias para encontrar comida e evitar substâncias perigosas. O blob deixa um “slime” por onde passa, para deixar claro que ele já comeu o que estava ali e que não é preciso retornar. Ele também consegue aprender a ignorar ambientes nocivos e se “lembrar” disso por até um ano.

Ao contrário do filme que inspirou seu nome, ele é completamente inofensivo para humanos — então pode ficar tranquilo se encontrar algo parecido com um catarro em seu quintal.

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