Baía de Guanabara recebe 133 milhões de litros de esgoto a menos por dia desde a privatização, diz Aegea

Quem passa pela orla da Baía de Guanabara sabe que a recuperação de um dos cartões-postais mais conhecidos do Brasil ainda está longe de terminar. Mas um número divulgado no início do mês mostra que, ao menos no saneamento, o percurso do longo caminho até o fim já foi reduzido drásticamente. Desde que os serviços de distribuição de água e esgotamento sanitário foram concedidos à iniciativa privada, pelo menos 133 milhões de litros de esgoto deixaram de ser despejados diariamente na baía.

O dado foi divulgado pela Aegea, controladora da Águas do Rio, em conteúdo publicado pelo jornal Valor Econômico. Segundo a empresa, a redução é resultado dos investimentos realizados para ampliar a coleta e o tratamento de esgoto, recuperar redes antigas e modernizar a infraestrutura de saneamento no estado do Rio de Janeiro.

Para dimensionar o impacto, 133 milhões de litros correspondem a mais de 50 piscinas olímpicas de esgoto por dia que deixaram de chegar à Baía de Guanabara.

A mudança começou em 2021, quando o Governo do Estado do Rio de Janeiro realizou o maior leilão de saneamento da história do país até então. O objetivo era ampliar os investimentos em abastecimento de água e esgotamento sanitário por meio da concessão dos serviços à iniciativa privada.

É importante esclarecer que a Cedae não foi totalmente privatizada. Conforme informações do Governo Federal e do Governo do Estado do Rio de Janeiro, a estatal continuou responsável pela produção de água tratada. Porém, o grande destaque na eficiência fica por conta dos serviços que foram para os braços da iniciativa privada: distribuição de água, coleta e tratamento de esgoto. Esses passaram a ser operados por concessionárias privadas em diferentes regiões do estado.

Depois da privatização da Cedae, a Águas do Rio, empresa do grupo Aegea, passou a cuidar dos serviços de água e esgoto em parte da Região Metropolitana e em dezenas de cidades fluminenses. A missão era clara: levar saneamento para mais gente e tirar do papel obras que estavam paradas há anos.

Desde que assumiu a operação, a empresa diz já ter investido R$ 6,3 bilhões no estado. Segundo a Aegea, esse dinheiro foi usado para modernizar o abastecimento de água, trocar tubulações antigas, ampliar a rede de esgoto e aumentar o número de casas atendidas pelos serviços.

A concessionária também afirma que cerca de 3,5 milhões de pessoas já sentiram os impactos dessas melhorias desde 2021.

Na prática, isso significa obras como a recuperação de elevatórias, instalação de novos coletores de esgoto, fim de pontos de despejo irregular e ampliação das estações de tratamento. Tudo isso para impedir que mais esgoto chegue sem tratamento aos rios e à Baía de Guanabara.

Segundo a Aegea, o conjunto dessas obras já impede que 133 milhões de litros de esgoto por dia continuem sendo lançados na Baía de Guanabara.


A empresa também afirma que novas intervenções devem ampliar esse resultado nos próximos anos. Um dos exemplos é o sistema de esgotamento sanitário do Complexo da Maré. Conforme dados divulgados pela companhia, quando todas as obras forem concluídas, cerca de 1,3 bilhão de litros de esgoto por mês deixarão de chegar à Baía de Guanabara.

Além de contribuir para a recuperação ambiental, a redução do lançamento de esgoto beneficia rios, canais, praias, lagoas e toda a biodiversidade da região.

Os resultados apresentados pela Aegea reforçam um dos principais argumentos dos defensores da concessão do saneamento à iniciativa privada: a capacidade de acelerar investimentos em infraestrutura e executar obras que permaneceram por anos à espera de recursos.

O próprio leilão realizado em 2021 movimentou mais de R$ 22 bilhões em outorgas e estabeleceu metas de universalização do abastecimento de água e da coleta e tratamento de esgoto, conforme informações divulgadas pelo Governo Federal.

A redução do volume de esgoto lançado diariamente na Baía de Guanabara demonstra que a participação da iniciativa privada pode acelerar a execução de obras de grande porte e produzir resultados ambientais concretos em um intervalo relativamente curto.

Por outro lado, críticos da concessão defendem que o saneamento básico deve permanecer sob gestão pública e argumentam que os mesmos investimentos poderiam ser realizados pelo Estado caso houvesse maior disponibilidade de recursos.

Independentemente das divergências sobre o modelo de gestão, os números divulgados pela Aegea indicam um avanço ambiental relevante desde o início da concessão. Se mantido o ritmo dos investimentos previstos em contrato, a expectativa é que o volume de esgoto tratado continue aumentando nos próximos anos, aproximando a Baía de Guanabara de um cenário muito diferente daquele que, por décadas, simbolizou um dos maiores passivos ambientais do país.

Victor Rodrigues

Editor-chefe, motion designer, editor e repórter da Curiozone desde 2015.

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