Tsunami de leis misândricas cresce com descoberta de falsas acusações contra homens inocentes

A avalanche de leis misândricas que começa a surgir no Brasil tem um motor principal: a sociedade está descobrindo que mulheres podem mentir e simplesmente destruir a vida de um homem. Esta conclusão foi feita por Ricardo Feltrin, ex-jornalista da Folha de São Paulo e UOL, que esteve envolvido na descoberta da fraude da campanha de cancelamento contra o humorista Marcius Melhem.

Por meio de um thread publicado nesta sexta-feira (27) em sua conta no X, o jornalista Ricardo Feltrin criticou duramente a aprovação da chamada “Lei da Misoginia” pelo Senado Federal, ocorrida na terça-feira (24).

Feltrin inicia o texto afirmando: “Notem que o tsunami de leis misândricas e/ou vagas (como a nojenta Lei de Misoginia) está crescendo na mesma medida em que a sociedade está descobrindo que cada vez mais mulheres fazem falsas acusações contra homens inocentes.” 

Ele prevê que em breve surgirão leis que punam preventivamente homens que denunciem falsas acusações, sob o argumento de “tumultuar o processo”.

O jornalista, que há anos investiga o universo do entretenimento e da TV brasileira, usa seu próprio caso como exemplo concreto de como essas leis e interpretações judiciais podem ser usadas para silenciar a imprensa. 

“Um dos objetivos dessa onda supremacista, claro, também é calar a imprensa e perfis que expõem falsas acusadoras. Exemplo? Eu”, escreve.

Feltrin dedica boa parte do thread a detalhar sua investigação sobre o escândalo de assédio sexual que envolveu o ex-diretor de humor da Globo, Marcius Melhem, em 2020. Inicialmente, o jornalista acreditou nas denúncias de Dani Calabresa e outras mulheres. No entanto, após acessar o processo completo no Rio de Janeiro e analisar provas materiais (conversas de WhatsApp, e-mails e testemunhas), ele mudou radicalmente de posição.Em vídeo publicado em dezembro de 2022, Feltrin chorou ao admitir publicamente que havia se enganado: “Tive nojo de mim”. 

Segundo suas apurações, a maioria das acusadoras mentiu. Ele afirma ter comprovado, com documentos, que as denúncias não se sustentavam. 

“Quando provei que as acusadoras de Marcius Melhem (COM PROVAS MATERIAIS) mentiram, elas não conseguiram me acusar de calúnia, difamação, injúria ou de publicar fake News. O que fizeram? Me processaram por violência psicológica e ‘perseguição’”, relata no thread.

O jornalista menciona que quatro peritas e cinco promotores (quatro deles mulheres) analisaram seus vídeos e concluíram que se tratava de jornalismo legítimo. O Ministério Público (MP) determinou o arquivamento do processo contra ele três vezes. Mesmo assim, uma única juíza (que Feltrin descreve como “claramente militante e parcial”) discordou. 

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) chegou a repreendê-la por falta de embasamento, mas o caso segue em tramitação: “Agora ela terá de provar que não fiz jornalismo”, ironiza Feltrin.

Sobre as acusações contra Melhem, Feltrin afirma que restou apenas uma denunciante: Maitê Lima, produtora do Jornal Nacional. “Tenho TODAS as conversas dos dois e testemunhas. Ele nunca nem sequer paquerou ela. Ela só acusou Melhem porque ele não realizou seu desejo” (de transferência para a dramaturgia). Apesar disso, a mesma juíza decidiu que Melhem deve ser julgado, “sem provas, sem fatos, sem testemunhas”.

Contexto das “leis misândricas” e críticas de Feltrin

A Lei da Misoginia, aprovada por unanimidade no Senado, altera a Lei do Racismo (7.716/1989) para incluir a misoginia (definida como ódio ou aversão às mulheres) entre os crimes de preconceito e discriminação. A pena prevista é de 1 a 3 anos de prisão mais multa. O projeto agora segue para a Câmara dos Deputados.

Feltrin não está sozinho em questionar a redação vaga da lei. Em posts anteriores, ele já havia alertado que “misoginia será qualquer coisa que decidirem” e que a medida servirá para equiparar críticas ou discordâncias a crimes raciais. 

Ele atribui a aprovação a uma aliança bipartidária: PT, PSOL, Michele Bolsonaro, Damares Alves e parlamentares de direita, além de “imbecis biscoiteiros” nas redes que, segundo ele, querem aparecer como “sensíveis”.O jornalista conclui o thread com um desabafo forte: “Alguém dê a descarga nesta merda de Bostil.”

Repercussão e implicações

O thread de Feltrin já acumula mais de 5 mil visualizações em poucas horas e gerou apoio de usuários que compartilham a preocupação com o desequilíbrio jurídico entre homens e mulheres em casos de acusações. Suas revelações sobre o caso Melhem reforçam um debate que ele vem travando desde 2022: o risco de que leis de “proteção” à mulher sejam usadas para criminalizar investigações jornalísticas e a defesa de inocentes.Feltrin, que foi o primeiro repórter a trazer as denúncias de Calabresa à tona, hoje se posiciona como um dos principais críticos do que chama de “onda supremacista” no Judiciário e no Congresso. 

Suas descobertas (baseadas em provas materiais que ele diz ter em mãos) colocam em xeque narrativas dominantes na grande mídia à época e servem de alerta sobre como o ambiente legal atual pode afetar não só réus, mas também jornalistas que ousam questioná-las.

Victor Rodrigues

É tempo de viver intensamente, estar pronto para novas experiências, acreditar num futuro melhor e entender que tudo passa nessa vida até a uva.

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