Não adianta. A história sempre se repete. Por mais que na teoria seja mágico, prático e simples, na prática, querer que os ricos paguem todos os impostos do mundo e ainda sustentem um estado inteiro é outra história. Não acontece.
Em Nova York, por exemplo, essa ideia já deu ruim: em 2022, a então candidata democrata Kathy Hochul disse a eleitores republicanos para “pegarem um ônibus e irem para a Flórida”. Muitos seguiram o conselho, deixando o estado cheio de promessas de impostos altos e gastos generosos, mas sem a base financeira para bancar tudo.
Quatro anos depois, Hochul está no outro lado da moeda. Com cofres públicos em frangalhos, ela agora, segundo o portal de notícias norte americano AOL, implora que os milionários voltem para Nova York para manter os programas sociais funcionando. Só que o estrago já foi feito: 125 mil pessoas de alta renda migraram para estados com impostos mais baixos, levando bilhões de dólares com elas.
O que era um conselho de campanha virou um problema fiscal gigante, e agora a governadora precisa lidar com a dura realidade de que chamar os ricos de volta não é tão fácil quanto mandar um ônibus.
Uma reportagem do jornal New York Post revela que desde o êxodo, aproximadamente US$ 14 bilhões acabaram não sendo pagos. Apesar de representarem menos de 1% dos pagadores, esses indivíduos eram responsáveis por cerca de 41% do imposto de renda estadual.
Conforme relata o Times Union, a perda da base tributária tornou-se evidente para as autoridades, especialmente em meio a contas públicas estaduais e municipais em frangalhos. O Controlador do Estado, Thomas P. DiNapoli, alertou que os gastos crescem mais rápido que a inflação e que a trajetória financeira atual é insustentável.
O êxodo não se limita aos super-ricos. Famílias de classe média também deixaram o estado, pressionadas pelos altos custos de moradia e cuidados infantis. Nova York possui a maior carga tributária combinada dos Estados Unidos: quem ganha mais de US$ 1 milhão enfrenta alíquotas estaduais de até 10,9%, além de impostos municipais se residir na cidade de Nova York. Enquanto isso, cidades como Palm Beach e Houston oferecem impostos muito mais baixos, atraindo novos moradores.
A cidade de Nova York, com 8,3 milhões de habitantes, gasta US$ 116 bilhões, praticamente o mesmo que todo o estado da Flórida, que tem 24,3 milhões de habitantes. Mesmo assim, a qualidade da educação não se mostra significativamente superior: em 2026, Nova York gastará mais de US$ 42.000 por aluno, enquanto a Flórida investirá cerca de US$ 9.100.
Ao mesmo tempo, o aumento da imigração ilegal e a obrigatoriedade de fornecer abrigo para todos sob a lei do “direito à moradia” elevaram ainda mais os custos, totalizando cerca de US$ 10 bilhões em quatro anos.
O padrão se repete em outros estados democratas. A Califórnia, por exemplo, registrou queda populacional pela primeira vez na história, passando para menos de 39 milhões de habitantes. Ao contrário, Texas e Flórida, controlados pelo Partido Republicano, veem crescimento constante: o Texas adiciona mais de 400 mil pessoas por ano e deve ultrapassar a Califórnia em população, enquanto a Flórida cresce cerca de 300 mil pessoas anualmente.
Para Nova York, a saída parece clara: sem uma revisão na política tributária e nos gastos públicos, o êxodo de alta renda provavelmente continuará.
A governadora Hochul agora enfrenta o desafio de tentar reconquistar aqueles que ela mesma incentivou a deixar o estado, enquanto lida com cofres vazios e uma população que busca fugir dos impostos mais altos do país.
Tags
Aconteceu
