24/10/2018

Operação False Flag: quando um time veste a camisa do adversário só pra inflar uma guerra


"Pode-se afirmar que as lesões foram produzidas: ou pela própria vítima ou por outro indivíduo com o consentimento da vítima ou, pelo menos, ante alguma forma de incapacidade ou impedimento da vítima em esboçar reação", assim descreve o laudo recentemente divulgado pela perícia da Polícia Civil do Rio Grande do Sul.


A conclusão da treta: a jovem de 19 anos que disse ter sido agredida por usar adesivos com #EleNão na verdade não foi agredida por ninguém além dela mesmo (ou alguém com consentimento dela).

Apesar de registrar a ocorrência e prestar depoimento, a mulher decidiu não representar criminalmente, e a investigação foi suspensa. Um dia antes da desistência da ação, o delegado Paulo César Jardim, ao ver a fotografia dos ferimentos, deu entrevista negando que ali não havia uma suástica nazista. Segundo ele, a cruz gamada do nazismo não tem aquele formato, pois a perna do "S" estaria invertida. "O que temos é um símbolo milenar religioso budista, símbolo de amor, paz e harmonia", ressaltou o delegado.

Abaixo você pode ver a diferença. Na esquerda, a foto da suástica religiosa budista, já na direita a suástica do regime nazista.


O caso chocou a todos que ficaram sabendo e claro, revoltou. Afinal de contas, porque alguém faria isso consigo mesmo? O objetivo é simples: inflar uma guerra, tentando forçar a narrativa de que os militantes do adversário são agressivos. E isso não é novidade nenhuma, já vem de muito tempo atrás. Estamos falando do fenômeno das false flags ou operação da bandeira falsa. Você escolhe como quer chamar.

Essas são operações conduzidas por governos, corporações ou pessoas que aparentam ser realizadas pelo inimigo de modo a tirar uma "vantagem" na história, das consequências resultantes. Esse nome é retirado do conceito militar de utilizar bandeiras do inimigo. Operações de bandeira falsa foram já realizadas tanto em tempos de guerra como em tempo de paz.

False-flags no regime militar do Brasil

No Brasil, em 1981 tivemos um fenômeno parecido. Quem não se lembra do famoso Atentado do Riocentro? Esse foi o nome dado pelo qual ficou conhecido um frustrado ataque a bomba ao Centro de Convenções do Riocentro, no Rio de Janeiro, na noite de 30 de abril de 1981, quando ali se realizava um espetáculo comemorativo do Dia do Trabalhador, durante o período da ditadura militar no Brasil.

Embora todos saibam que os comunistas terroristas daquela época não eram flor que se cheire e que eles aprontaram todo tipo de confusão querendo até mesmo implantar sua própria ditadura, surpreendentemente o atentado ocorrido na noite de abril de 1981, não foi obra de nenhum deles e sim de alguns setores do próprio Exército, que de alguma forma, queriam reaquecer a guerra mais uma vez.

As bombas, levadas ao complexo num carro esportivo civil Puma GTE, seriam plantadas no pavilhão pelo sargento Guilherme Pereira do Rosário e pelo capitão Wilson Dias Machado. Com o evento já em andamento, uma das bombas explodiu prematuramente dentro do carro onde estavam os dois militares, no estacionamento do Riocentro, matando o sargento e ferindo gravemente o capitão Machado. Uma segunda explosão ocorreu a alguns quilômetros de distância, na miniestação elétrica responsável pelo fornecimento de energia do Riocentro. 

A bomba foi jogada por cima do muro da miniestação, mas explodiu em seu pátio e a eletricidade do pavilhão não chegou a ser interrompida. Na tentativa de encobrir o fracasso da operação, o SNI - Serviço Nacional de Informações culpou as organizações de esquerda – na época já extintas – pelo ataque. 

Essa hipótese já não tinha sustentação na época e anos mais tarde se comprovou, inclusive quando um ex-delegado confessou sua participação no atentado, revelando que foi uma tentativa de setores mais radicais do governo (principalmente do CIEx e do SNI) de, ao colocar a culpa na oposição radical pela carnificina prevista a acontecer, convencerem os setores mais moderados de que era necessária uma nova onda de repressão aos terroristas que na época já tinham acalmado seus ânimos.

Incidente de Mukden

O Incidente de Mukden, também chamado de Incidente da Manchúria, é o nome de uma sabotagem ferroviária ocorrida em 18 de setembro de 1931 no sudoeste da Manchúria. Tudo começou quando militares japoneses explodiram uma seção da estrada de ferro do sul da província, de propriedade do Japão, perto da cidade de Mukden, hoje Shenyang.

O exército imperial japonês acusou dissidentes chineses pelo ato de sabotagem e o fato foi usado como pretexto para a invasão e anexação japonesa da Manchúria.

O incidente representou um dos primeiros marcos da até então não-declarada Segunda Guerra Sino-Japonesa, que só a partir de 1937, após o Incidente da Ponte Marco Polo, aconteceria de forma aberta e declarada entre as duas nações.
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