Se conecte com a gente

Aconteceu

Diante da prisão de streamer por estupro e caso de pedofilia, influenciadores se calam

A prisão recente por estupro de vulnerável do streamer RaulZito não motivou campanha de repúdio por influenciadores.

Publicado

no

Foi na última terça (27) que a Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu em Florianópolis, por suspeita de estupro de vulnerável, o streamer Raulino de Oliveira Maciel conhecido como RaulZito. De acordo com a Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), os casos envolvendo Raulino, que está sob investigação, teriam acontecido no Rio de Janeiro e São Paulo, nas cidades de Niterói e São Caetano do Sul respectivamente.

A polícia afirma que era por meio de um perfil em uma rede social, que o homem entrava em contato com as crianças prometendo acesso a trabalhos, alegando ser contratado de uma emissora de TV. Duas supostas vítimas menores de idade prestaram depoimento à polícia do Rio de Janeiro, porém há suspeita de que outras tenham sido vítimas do influenciador cujo defesa não se manifestou até o momento.

O streamer Raulino de Oliveira Maciel conhecido como RaulZito.

De acordo com informações do portal R7, as investigações começaram após uma denúncia que partiu da mãe de uma das vítimas de 12 anos. Em depoimento, as crianças confirmaram os abusos, porém não conseguiam nem dizer quantos seriam, devido o fato de terem sido muitos.

As investigações que acontecem no caso RaulZito, ganharam manchetes em diversos telejornais do Brasil, além de terem conquistado repercussão internacional.

Em nota, o SBT, com quem o streamer tinha contrato, disse que o mesmo já não integra mais o quadro da equipe de influenciadores, e informou que ele era produtor não exclusivo da plataforma, não tendo assim “direito algum de usar o nome da emissora em negociações fora das propriedades do SBT Games”. Além disso, disse esperar pelo resultado das investigações e a elucidação dos fatos.

O acontecimento que até aqui já é estarrecedor para alguns, para outros, no entanto, parece ter ganho o direito de ser ignorado, ou pelo menos de não ser levado ao extremo da proporção que se observou em outros episódios de cancelamento na web.

Há pouco mais de 1 ano, a internet acompanhava uma intensa campanha de repúdio e cancelamento de Christoph Sena Schlafner, por conta de um tweet com meme feito por seu colega de live, o streamer Henrique Martins conhecido como Capim.

Christoph, por conta de um tweet feito por Henrique que criticava o movimento Black Lives Matter, se tornou alvo de intensos ataques ao mesmo tempo em que observava seu nome envolvido em denúncias de crimes como nazismo, racismo e homofobia, embora hoje a justiça tenha arquivado o processo por falta de provas que o incriminassem.

Chief, o pseudônimo do influenciador Christoph Sena Schlafner.

O curioso caso de silêncio dos influenciadores diante da prisão de RaulZito trás à tona o relato do youtuber PC Siqueira, que também viu seu nome envolvido em denúncias de pedofilia mas que, embora a polícia não tenha encontrado provas contra ele, acabou dizendo em ato falho numa ocasião que “teve seus segredos revelados”, e supostamente em outra, que a respeito de Felipe Neto, era melhor o youtuber não se manifestar pois ele tinha teto de vidro.

Esse silêncio pode ser interpretado como a sensata decisão de aguardar o fim das investigações por parte da polícia, assim como decidiu o SBT em nota. Por outro lado, revela também o forte contraste com outros casos em que, diferente do streamer, nem mesmo prisão havia sido decretada com relação a outros influenciadores que, apesar disso, sofreram com uma campanha de cancelamento nas redes sociais, como é o caso de Christoph.

Campanha de cancelamento nas redes sociais.

Questionado a respeito dos comentários de cunho sexual com crianças em seu Twitter, o influenciador Guilherme Damiani admitiu haver contexto que pudesse explicar que os mesmos não representavam seu pensamento enquanto pessoa, porém foi um dos que engrossou o coro de influenciadores que rejeitaram o argumento da contextualização em falas pinçadas para acusar Christoph Schlafner de cometer racismo.

Rafael Lange, influenciador conhecido como Cellbit, assim como Guilherme Damiani, se manifestou contra a extinta Xbox Mil Grau, e acabou tendo, também, seus tweets antigos resgatados à época. A respeito das postagens, que assim como as de Damiani, continham piadas de cunho sexual com crianças, o influenciador se disse arrependido, e afirmou não refletir quem ele é atualmente. Além disso, Cellbit deletou as postagens.

Felipe Neto, conhecido por ser o “comentarista geral do Twitter”, já virou notícia em diversos sites, e estampou a capa da matéria de inúmeros jornais por exigir o posicionamento contra o que ele considera fascismo.

Na primeira suspeita de que um desafeto seu possa ter cometido um deslize, o youtuber de mais de 42 milhões de inscritos dispara seus ferozes comentários, contudo é outro que entra para a lista dos que se calaram ao não tecer qualquer comentário sobre o caso de RaulZito.

Felipe Neto, Rafael Lange e Guilherme Damiani são apenas alguns entre tantos outros influenciadores de grande audiência, que apesar de terem feito parte da horda digital que participou do manifesto contra Christoph, não manifestaram qualquer tipo de comentário a respeito de Raulino, que diferente do criador da extinta Xbox Mil Grau, foi preso.

Para quem possa questionar a respeito do caso de Christoph e ainda buscar uma razão pelo qual o processo tenha sido arquivado, cabe lembrar que a Polícia Federal solicitou –não recortes– e sim o conteúdo integral de vídeos que pudessem mostrar que Christoph teria cometido racismo. Os acusadores no entanto, numa posição controversa, não apresentaram.

O caso de Raulino de Oliveira Maciel, que de acordo com informações do site Metrópoles, permanece preso após decisão judicial em audiência de custódia, escancara o forte contraste na decisão de quem deve ou não sofrer moção de repúdio e ser alvo de cancelamento nas redes.

A Curiozone não conseguiu contato com a Twitch e o YouTube para saber porque o streamer, embora preso, não teve suas contas canceladas e desmonetizadas nas respectivas plataformas.

Publicidade
Publicidade
Publicidade

Em Alta