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Por falta de provas, inquérito contendo acusação de racismo contra streamer é arquivado

Christoph Sena Schlafner se viu envolvido em denúncias de racismo por conta de um tweet feito por Henrique Martins.

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Racismo, nazismo, homofobia. Essas são algumas das denúncias de crimes que envolveram o nome de Christoph Sena Schlafner, o streamer mais conhecido como Chief na internet.

Em junho de 2020, uma verdadeira avalanche de denúncias pesaram contra o influenciador nas redes sociais, por conta de um tweet feito (não por ele, mas) por seu colega de stream Henrique Martins, conhecido como Capim. Hoje, em julho de 2021, mais de um ano após as denúncias, o streamer informou em suas redes sociais que o inquérito aberto contra ele, no Ministério Público, foi arquivado por falta de provas.

A Polícia Federal, nas investigações, pediu aos denunciantes, o conteúdo integral de vídeos que comprovassem os indícios de que ele teria cometido crime de racismo. A posição dos que o acusaram, porém, foi controversa: não apresentaram.

Tudo começou no dia em que uma publicação feita por Henrique Martins, streamer conhecido como Capim, chamou a atenção da internet: uma comparação entre manifestantes, que protestavam nos Estados Unidos em meio a morte de George Floyd, e astronautas brancos.

Uma das imagens, com a legenda em inglês “O que negros estão fazendo hoje”, mostrava um homem negro em frente a um carro em chamas. A outra, com a descrição “O que brancos estão fazendo hoje”, mostrava dois astronautas brancos.

A repostagem do meme que tinha o objetivo de, na interpretação de Christoph, provocar os militantes do movimento Black Lives Matter, foi o vetor para ataques ferozes pedindo sua exclusão de todas as plataformas de mídia onde produzia vídeos.

“Do dia pra noite, com 31 anos de idade, pai de família, sempre tratando todo mundo durante minha vida inteira de maneira igual, virei o ‘Hitler da internet’.”, conta o streamer à Curiozone.

Segundo Christoph, a motivação para os ataques, porém, não foi o meme, e sim seu posicionamento firme e claro no sentido de ser o parcial defensor de Xbox desde 2014, quando criou a, agora extinta, Xbox Mil Grau.

Comunicado da marca Xbox Brasil solicitando imediata remoção do nome Xbox Mil Grau.

Christoph afirma que a mídia “não é nada imparcial” e que seu canal tinha um objetivo claro: tirar a “credibilidade de jornalistas e influenciadores que adoram pagar de “sabe tudo dos games” embora, a grande maioria não jogue “absolutamente 5% do que diz” jogar.

“Ao longo dos anos, isso foi deixando um rastro de ódio por parte deles.”, afirma Christoph, que criou a marca por ter observado que influenciadores e mídia detonavam o console da Microsoft.

Não é só a parcialidade no sentido de defender o console da Microsoft que Christoph não esconde. Seu posicionamento político conservador também é explícito, algo que ele também afirmou ter sido um importante peso para motivar os ataques de cancelamento que sofreu.

De acordo com o streamer, poucos tem coragem de fazer como ele e assumir sua posição política conservadora, por medo de perder views, contratos entre outros ítens essenciais para se manter como influenciador de games na internet.

Ainda segundo Christoph, seus vídeos renderam frutos: seguidores que perceberam a alegada parcialidade dos jornalistas, começaram a duvidar da credibilidade deles, colocando em xeque a reputação de grandes portais da mídia especializada em jogos.

Embora o tweet que foi o vetor para a avalanche de denúncias tenha sido feito por Henrique, foi Christoph, que estava viajando, que teve seus dados pessoais expostos, além de ter recebido inúmeras ameaças de morte. Ele afirmou que isso foi uma prova de que o ódio era por ele. Algo meramente pessoal, e não pela causa.

O streamer conta ainda que, depois do tweet, frases em meio a mais de 13 mil horas de gameplay conversando com sua audiência, bem como colegas de stream, foram tiradas de contexto e colocadas em um clipe compilado de 2min totalmente manipulado para enganar e juntar uma massa do que ele chamou de “soldadinhos de twitter” pra ajudarem no ataque.

E deu certo: não foi apenas a marca Xbox que cortou relações com Christoph. As plataformas Twitch e YouTube, removeram definitivamente sua conta.

Na internet, Ricardo Regis é o nome de um dos militantes de esquerda que se apresenta como organizador de denúncias às plataformas em que a, agora extinta, Xbox Mil Grau, tinha conta ativa.

Ricardo Regis.

Para ele, os tweets de Henrique Martins foram devastadores:

“Para mim, aquilo foi tão explicitamente racista, que compartilhei a imagem no meu perfil, e a partir dali gerou alguma comoção”, contou Regis em entrevista.

Segundo o editor de vídeos, algumas pessoas que o seguiam por conta de seu trabalho no Nautilus (canal de debates e conteúdo de games) começaram a se juntar, indignadas. “Elas estavam vendo, acredito eu, que alguém estava tomando um posicionamento.”, conta.

O anúncio de Christoph sobre o arquivamento do inquérito acontece no mesmo dia em que Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo confirmou a liminar para que o Google reative os canais do Terça Livre no YouTube. Em 4 de fevereiro, a plataforma encerrou as contas do portal de notícias de direita: o oficial, por onde são transmitidos todos os programas, e também o canal reserva.

Com o arquivamento da denúncia, Christoph garantiu com exclusividade à Curiozone que pretende seguir a jurisprudência, e mover uma ação judicial contra todos que pediram seu cancelamento por conta do tweet feito por Capim. De acordo com o streamer, os passos que terão de ser seguidos são muitos, mas que serão dados ao longo do tempo. Uma atitude necessária, diante da injustiça que sofreu nas redes sociais.

“Após o arquivamento do processo, sim, estou em contato com meu advogado diariamente para decidirmos os próximos passos, são muitos, mas serão dados ao longo do tempo.”, garante.

A Curiozone esclarece que tentou a busca pelo denunciante que levou a abertura do inquérito. Contudo, por ter feito a denúncia de modo anônimo, não foi possível ouvir seu lado e motivações para a iniciativa de não apresentar provas da denúncia junto ao Ministério Público.

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