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Mensagens sobre laudêmio em Petrópolis geram fake news contra Família Imperial; entenda

Massivos ataques foram feitos após carta solidária de Dom Bertrand às famílias em Petrópolis.

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Subiu para 130 o número de mortos na tragédia após o temporal que causou deslizamentos em Petrópolis. De acordo com informações do portal R7, as buscas por vítimas estão sendo feitas por cerca de 500 bombeiros com ajuda de cães farejadores, viaturas do tipo 4×4 e botes, além de aeronaves das forças de segurança do Estado. A tragédia, de fato, é algo que causa profunda angústia e tristeza.

Neste momento, pelo menos 116 pessoas continuam desaparecidas na cidade da região serrana, segundo a Polícia Civil.

Bombeiros buscam vítimas de deslizamento em Petrópolis, no Rio de Janeiro.

Em meio ao terrível deslizamento que aconteceu no local, que foi comparada a um ‘cenário de guerra’ pelo presidente Jair Bolsonaro e afetou várias famílias, o príncipe imperial Dom Bertrand emitiu uma carta, na última quarta (16), manifestando “profunda consternação”.

“Quero manifestar nossa profunda consternação com os terríveis danos causados pelas fortes chuvas em Petrópolis. A Família Imperial encontra-se sempre disposta a servir ao seu povo oferecendo ainda nossas orações e solidariedade a todos que vêm sofrendo”, diz a nota assinada pelo príncipe imperial, Dom Bertrand de Orleans e Bragança.

Na manhã desta sexta (18), no entanto, dias após a carta assinada por Dom Bertrand, a internet foi bombardeada com mensagens sobre o laudêmio, imposto conhecido popularmente como ‘taxa do príncipe’. As mensagens de teor agressivo no Twitter se manifestam contra a carta, sugerindo que a Família Imperial, por conta da carta assinada por Dom Bertrand, seria oportunista por ter escrito a carta, enquanto recebe a ‘taxa do príncipe’.

Para quem não sabe, a cidade que foi atingida pelas chuvas fortes, recebeu o nome de Cidade Imperial, pois a mesma foi refúgio de lazer do imperador Dom Pedro II durante o Brasil Império. Foi nesse período que o laudêmio foi criado. A taxa foi estabelecida depois que a coroa distribuiu lotes da Fazenda do Córrego Seca a imigrantes, que em troca, deveriam pagar uma taxa no caso de revenda do imóvel.

O imperador Dom Pedro II.

Apesar do Brasil viver uma República desde 1889, a cobrança ainda existe para moradores dos bairros mais valorizados de Petrópolis.

Conhecida como “taxa do príncipe”, o imposto consiste no pagamento de uma taxa de 2,5% do valor do imóvel, para os descendentes da Família Imperial, toda vez que ele for revendido. O imposto é recolhido pela Companhia Imobiliária de Petrópolis, administrada por herdeiros da antiga família real.

De acordo com uma reportagem do jornal Estadão, porém, embora a linha sucessória corra no ramo de Vassouras, apenas membros do ramo de Petrópolis recebem o dinheiro oriundo da taxa, sendo, portanto, fake news atribuir o recebimento da mesma aos que emitiram a carta em apoio aos cidadãos que perderam seus familiares na tragédia que ocorreu em Petrópolis.

O Ramo de Vassouras é um dos ramos da Casa de Orléans e Bragança e, portanto, descendente da Família Imperial Brasileira por via materna, através da Princesa Isabel. O ramo é formado pelos descendentes de seu segundo filho, Luís de Orléans e Bragança, já que o primeiro, Pedro de Alcântara de Orléans e Bragança, renunciou a seus direitos para se casar.

Príncipe Imperial Dom Bertrand de Órleans e Bragança.

Por outro lado, o Ramo de Petrópolis, que é aquele que de fato recebe a ‘taxa do príncipe’, é formado pelos descendentes de Pedro de Alcântara de Orléans e Bragança. Com sua renúncia à pretenção ao extinto título de Príncipe Imperial do Brasil, para que pudesse se casar com a condessa Elisabeth de Dobrzenicz, ele abdicou à pretensão ao trono imperial brasileiro e essa pretensão passou a seu irmão, Luís Maria Filipe.

Em entrevista ao Master Podcast, em outubro de 2020, o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança, integrante do ramo de Vassouras falou a respeito da taxa, e disse ser injusto acusar de oportunismo sua parte da família, atribuindo a ela o recebimento da mesma: “Ninguém da minha família recebe laudêmio, quem recebe laudêmio é a família de Petrópolis. Eu faço parte da família de Vassouras. Então assim como o ‘Lula da Silva’, [supostamente] contaminou a família Silva, então não quer dizer que todo Silva seja corrupto…”, disse.

Deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança.

Cabe lembrar que o laudêmio não é exclusivo da família real. Em outras localidades do país, o imposto também é cobrado pela União e pela Igreja Católica.

Na Câmara dos Deputados, tramitam alguns projetos de lei que tentam acabar com a cobrança. Um dos mais recentes é o PL 553/2020 do deputado federal Rogério Correia (PT/MG).

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