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Além de audiência, novela ‘Pantanal’ da Manchete arrancou anunciantes da Globo

O sucesso da extinta Manchete ganhará um remake produzido pela Globo.

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Quem é dos anos 80 (e até começo dos anos 90) certamente se lembra do sucesso que foi a novela Pantanal da extinta Rede Manchete. Aclamada até os dias de hoje, essa novela é tão icônica que vai ganhar um remake na Globo em breve.

A nova versão que está por vir começa a chamar a atenção de parte do público. Por um lado, os mais conservadores e saudosistas podem se tranquilizar com uma declaração dada em 2016 pelo autor da novela em entrevista ao Jornal EXTRA. Uma declaração que consegue afastar um pouco os rumores de que o remake terá uma militância política como em alguns folhetins atuais da Globo. Na ocasião, Benedito (que irá supervisionar o remake) polemizou ao rechaçar novelas que se propõem a doutrinar crianças no que ele chamou de ‘história de bicha’.

“Odeio história de bicha. Pode existir, pode aceitar, mas não pode transformar isso em aula para as crianças. Tenho dez netos, quatro bisnetos e tenho um puta orgulho porque são tudo macho pra cacete”, disse Benedito Ruy Barbosa.

Por outro lado, porém, uma incógnita sobre essa questão ainda permanece quando uma reportagem do ‘Fantástico’ revelou que a nova Pantanal poderá sofrer algumas adaptações por parte do responsável por elas: Bruno Luperi, neto de Benedito.

O que importa mesmo é que inegávelmente o remake acontecerá, uma vez que as gravações da nova versão já começaram. Aliás, em meio as notícias que já começaram a sair na mídia, uma reportagem do site Notícias da TV relembrou uma curiosidade sobre a única novela de Benedito Ruy Barbosa na Manchete: além de audiência, a novela conseguiu arrancar anunciantes da Globo.

Atriz Cristiana Oliveira, no papel da protagonista Juma, em Pantanal, produzida pela extinta Rede Manchete.

Obviamente, por conta do ritmo arrastado, gerando a chamada “barriga”, e pelo excesso de merchandisings, a novela não escapou de críticas. A Manchete nem se preocupava, afinal de contas, em plena crise gerada pelo Plano Collor, a emissora fundada por Adolpho Bloch observou nascer uma fila inédita de empresas batendo em sua porta, fazendo engordar seus cofres.

“É o maior sucesso comercial da emissora em seus quase sete anos de vida”, declarou o então diretor comercial Osmar Gonçalves ao Jornal do Brasil de 20 de maio de 1990.

Foi difícil vender as cotas de patrocínio de Pantanal em seu começo. Isso porque apenas Bradesco e Bombril toparam em janeiro daquele ano, animados pelos bons resultados da novela exibida antes, Kananga do Japão, que não foi nenhum fenômeno, mas mandou bem para os padrões da emissora.

Além de audiência, novela ‘Pantanal’ da Manchete arrancou anunciantes da Globo.

Perto da estreia de Pantanal, Mesbla (uma loja que era a concorrente da Havan) e Perdigão também fecharam negócio. Foi só com o passar dos capítulos e o início do fenômeno, que choveram anunciantes. A Sony fechou o top de cinco segundos (que unificava as emissoras próprias e afiliadas da Manchete), e a marca de sucos Tang comprou as cenas do próximo capítulo.

“A essa altura, já estávamos inundados de pedidos de empresas interessadas em mostrar sua marca nos intervalos do Pantanal. Como damos 40% do espaço para os patrocinadores e os 60% restantes são de anunciantes avulsos, já comprometidos conosco, o estouro de pedidos é de 100%. Só [tendo] muito jeito para agradar a todos”, explicou Gonçalves na reportagem.

Um outro fator que atraiu as empresas foi o preço. Era muito mais barato anunciar no sucesso da Manchete do que numa atração da Globo. De acordo com Gilberto Lopes, diretor de mídia da agência Denison, a novela era muito bem feita, e o custo-benefício observando o horário em que ela era exibida com os produtos concorrentes era ótimo. O diretor afirmou ainda que o público daquele horário era “é qualificado, e de bom poder aquisitivo” e supôs que a Perdigão havia feito um de seus melhores negócios do ano ao comprar o patrocínio: “Talvez com resultados tão bons quanto a Sadia, que pagou uma fortuna pelo patrocínio da Copa”, disse.

Uma matéria feita pelo jornal Folha de São Paulo, na época, deu um exemplo prático para mostrar que o preço do ponto de audiência na Manchete custava menos da metade do da Globo.

“Uma inserção de 30 segundos no intervalo da novela Rainha da Sucata, com transmissão só para a Grande São Paulo, custa Cr$ 354.563,00. Numa semana em que a média de audiência é de 59 pontos ao dia, o valor do GRP [sigla para ponto bruto de audiência] será de Cr$ 6.009,54. O mesmo cálculo vale para o outro exemplo, referente a Pantanal: Cr$ 65.236,00 divididos por 22 = Cr$ 2.9656,27, com a média de audiência de 22 pontos”, enumerou.

Com os intervalos saturados, o jeito foi apelar para o merchandising, amplamente utilizado na Globo, mas que era outro fato inédito nas novelas da Manchete.

Novela ‘Pantanal’ vai ganhar remake na Globo, 30 anos após sucesso na TV.

Antes da estreia, a emissora não tinha qualquer expectativa de faturar com esse tipo de comercial na novela. Pouco tempo depois, já existia uma lista de espera com mais de 20 produtos, representando uma receita adicional entre US$ 4 milhões e US$ 5 milhões.

Aí coube ao autor encaixar as empresas na trama, que vendeu de vacina para febre aftosa a tratores e agrotóxicos. Em determinada época, estavam acertadas ações da Kodak, Água de Cheiro, Ivomec, conhaque de alcatrão São João da Barra e da câmera handycam da Sony.

“Aquilo causou um frisson danado. Na novela, o personagem comprava um aparelho de TV e precisava de uma parabólica. Foi um caso fantástico, porque mostramos a instalação da antena”, declarou o autor.

“Teve muita propaganda naquela chalana, que trazia mercadorias para o povo ribeirinho. Isso não agride. Não acho bom quando o merchandising entra muito forte, violentando toda a história, o autor, o elenco”, concluiu Benedito Ruy Barbosa.

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