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Buffoniando

1959

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No último domingo ocorreu o Enem e pela primeira vez desde 2009, não foi abordado o Regime civil-militar (1964-1985). Com isso, perdemos a chance de refletir a conjuntura geopolítica daquela época e o que levou a ocorrência de tal fenômeno.

A guerra fria é o período que sucedeu a II Guerra e perdurou de 1945-1991. Nesse período, EUA e URSS, as potências que emergiram com o fim da guerra, disputaram a hegemonia mundial em um entrave político, tecnológico-militar, social e econômico. Por isso, chamamos esses tempos de bipolaridade. Esses países nunca realizaram um embate físico entre eles, entretanto, estiveram no backstage dos confrontos que marcaram essa época, sobretudo na Ásia e África (durante a descolonização).

Mas e o ano de 1959? Esse ano marca o sucesso da Revolução cubana, que esse ano completa 60 anos. Graças a esse evento, a guerra fria verdadeiramente penetrou no continente americano. Até Cuba realizar tal feito, os EUA mantinha o foco e o combate de isolar o comunismo no Leste Europeu e Ásia. Essa foi a porta de entrada para toda uma série de ações e cooperações nos anos que sucederam.

Cuba é uma ilha caribenha que se tornou independente da Espanha no final do século XIX, com ajuda dos EUA. Desde então, Cuba tornou-se uma espécie de protetorado com governos fantoches que beneficiava os interesses americanos. Em 1953 um grupo de jovens revolucionários começaram uma guerra de guerrilha com o intuito de derrubar a ditadura de Fulgêncio Batista. A ilha era um grande produtor de açúcar e 90% da sua exportação era destinada aos EUA. Cuba era uma espécie de Las Vegas caribenha com cassinos, jogatinas, prostituições, tráfico de drogas, além de uma ampla miséria para o povo cubano em detrimento de uma elite. Esse quadro motivou a luta revolucionária.

Em 1959, a luta teve fim e Batista foi derrotado. Tão logo começou uma política de reforma agrária, dos aluguéis , nacionalização de empresas americanas, entre outras. Aos EUA coube medidas de embargo e ataques à ilha com soldados americanos e mercenários cubanos contrários ao novo governo. A política de ataque militar não surtiu efeito e desgastou o governo Kennedy. Já o embargo, que tinha por objetivo a asfixia do novo governo com a finalidade de provocar um levante popular contra o governo revolucionário, não surtiu efeito e para piorar, fez com que Cuba se declarasse socialista e parceira da URSS em pleno continente americano. Essa decisão ligou o sinal vermelho na Casa Branca, pois o exemplo cubano poderia ser seguido, até pela razão dela exportar um modelo revolucionário. Que deu certo em um país de pequenas dimensões.

O ano de 1964 e 1973, Brasil e Chile respectivamente, estão diretamente relacionados ao ano de 1959. Os EUA não iriam em hipótese alguma deixar nenhum centímetro do continente se aproximar do exemplo de Cuba. Começou uma verdadeira campanha de aproximação com governos latinos promovendo cooperação econômica para o desenvolvimento, como a Aliança para o Progresso e conspirações para derrubadas de governo de esquerda. Deixar de abordar o Regime civil-militar é uma forma de deixar de entender uma conjuntura maior. É deixar de refletir sobre a geopolítica e estratégia do continente. É deixar de refletir o papel hegemônico dos EUA e sua ingerência. Todos perdem. E a pior parte é: deixar de abordar é simplesmente perigoso, pois corre o risco de cair no esquecimento. Refletir sobre as nossas chagas não é ideologia, é HISTÓRIA.

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