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Frenologia

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Em março desse ano escrevi um texto aqui mesmo na coluna abordando a eugenia. Só para refrescar a lembrança de vocês, a eugenia nasceu com Galton, primo de Darwin, que aplicou as ideias evolucionistas como quesitos sociais. Dessa forma, estava legitimado o racismo científico, embora não ocorresse nada de científico na eugenia. Mas era o que se pensava na época. Essa ideia serviu para dar base às perseguições e segregação aos negros, os EUA; serviu para reforçar os interesses exploratórios europeus na África e na Ásia, com o mito da superioridade branca que era mais civilizada, no imperialismo do século.

Passados seis meses do tema eugenia, hoje iremos pincelar a frenologia. Uma espécie de irmã da eugenia. Uma pseudociência que possuía a finalidade de prever comportamentos alheios pela aferição do crânio. Sim! segundo a frenologia, poderíamos saber quem era voltado para a criminalidade e outros ações nefastas observando detalhadamente o formato do crânio. Poderíamos saber quem era inteligente, culto, gentil ou voltados para comportamentos desviantes estudando o formato do crânio. Você já pode imaginar quem tinha o crânio mais evoluído e voltado para bons comportamentos né? Exatamente, os brancos. A frenologia reforçou a eugenia e acirrou ainda mais a exclusão e a violência contra os pobres e, principalmente os negros.

O pai da frenologia foi Franz Gal (1758-1828) e seus escritos fora tão bem aceitos que manuais frenológicos foram imensamente escritos e reproduzidos. Até a a rainha Vitória mandou examinar o crânio dos seus filhos. Manuais foram escritos ensinar a como não casar com uma mulher rebelde, mas sim, como deveria ser o crânio de uma esposa obediente, amável e submissa. Tudo isso para evitar o pior: casar com uma revolucionária e ter filhos que herdem a característica da mãe.

A primeira “escola frenológica” surgiu na Índia em 1825 (na época era um colônia inglesa). De acordo com o cirurgião George Murray Paterson, a educação poderia reabilitar os débeis e degenerados, pois semanas seguidas medindo os crânios dos bengalis seguidos de instruções, notou-se que a área do seu cérebro para boas maneiras tivera desenvolvimento e por isso podia civilizar e recuperar os mesmos. Essa crença colonial reforçou as atrocidades e ações europeias sobre os mesmos. Esse pensamento de recuperação passou a serem aplicados em prisões e manicômios por todo o mundo. Somente a educação e cultura (branca) salvariam essas pessoas.

Para não dizer que só criticamos a frenologia, ela foi importante num quesito científico: na época do século XIX os estudos sobre o cérebro avançavam e eram palco de uma grande discussão, ele possui áreas específicas de atuação ou ele é um todo complexo? O século XX apresentou uma boa respostas devido aos avanços da medicina e das tecnologias de estudos. O cérebro possui áreas específicas de atuação, entretanto ele é um grande complexo integrado que agem e reagem sobre si nos dando todas as competências cognitivas, emocionais, de memória, etc. Entretanto, no século XIX a frenologia ajudou, de certa forma, a entender que o cérebro possui áreas específicas, como: uma parte para o comportamento, uma para emoções, outra para inteligência, uma para visão e assim sucessivamente.  Gall inicialmente dividiu o cérebro em 27 áreas diferentes e algumas delas ele classificou assim: cada uma com uma função específica, como afeto, orgulho, sentimento religioso, habilidade poética e a tendência a matar. A “ciência” de Gall era utilizada para prever comportamentos de crianças e para selecionar pessoas em empresas.

Frenologia vem do grego phren (mente) logos (conhecimento).  Embora fosse muito famosa, o advento da psicologia e da neurologia começaram a desbancar as contribuições das ideias de Gall. Pautadas num determinismo exacerbado, como a eugenia. Esse determinismo era considerado inato, ou seja, nascia com você. E por isso, poderia ser previsto e antecipado. Mas como pode ter sido formulado dessa forma? Comparando os crânios de quem possui um comportamento inadequado e indesejado pela sociedade: aferindo as cabeças de pessoas em que estavam privadas da sua liberdade, ou em penitenciárias ou em manicômios. Quem eram os alvos dessas instituições? Os indesejáveis. Quem são eles? Mendigos, bêbados, ladrões, mulheres progressistas, negro que não aguenta o racismo e agride o branco, etc. A semelhança entre os crânios de pessoas negras, por exemplo, legitimava que os negros eram propícios ao roubo e a violência por causa do seu crânio. Não por causa da sua história e por causa do racismo, mas sim pelo formato da  cabeça. Isso justifica a visão do negro ser animalesco e, nos EUA reforçou ainda mais a permanência da escravidão.

A ideia de Gall colaborou para que a ciência perpetrasse ações indizíveis contra o ser humano, na esperança de alcançar algum resultado benéfico. Sob seus auspícios, experimentos como cortar – isso mesmo, retirar – pedaços dos cérebros das pessoas julgadas com comportamentos indesejáveis foram muito aplicados. Retirar um pedaço do cérebro era no objetivo de ajustar o indivíduo em questão para viver em sociedade. Retirar dele o impulso da violência, do roubo e das outras ações que se tinha ideia que estava localizado em partes específicas dos cérebros. Portanto, a frenologia era uma “ciência” voltada para engrandecer os caucasianos, por isso, uma “ciência” determinista e racista.

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